Damasco mata 400 desde envio de missão árabe, afirma ONU

Em pronunciamento na TV, Assad promete 'derrotar conspiração' e qualifica os dissidentes sírios de 'terroristas'

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2012 | 03h03

Desde a chegada da missão da Liga Árabe à Síria, em 26 de dezembro, 400 pessoas foram mortas pelas forças do ditador Bashar Assad. A informação foi divulgada ontem pelo subsecretário-geral da ONU, B. Lynn Pascoe. No mesmo dia, em pronunciamento na TV, o líder sírio prometeu agir com "mão de ferro" contra quem tenta tirá-lo do poder.

Segundo a embaixadora americana na ONU, Susan Rice, o número de vítimas comprova que após a chegada dos observadores árabes o governo sírio intensificou a violência com que reprime os protestos antigoverno, em vez de cumprir a promessa de acabar com o derramamento de sangue feita antes de a missão internacional chegar ao país.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos, grupo de oposição com sede em Londres, afirmou ontem que as forças de Assad mataram a tiros dez pessoas - manifestantes antirregime, na maioria - na cidade de Deir el-Zor. De acordo com os ativistas, disparos feitos de um posto de controle também mataram um homem em Homs.

Segurança. "Derrotaremos essa conspiração", afirmou Assad no pronunciamento que durou quase duas horas, repetindo um refrão que já se tornou comum. "Nossa prioridade agora é reconquistar a segurança que tivemos por décadas e isso só pode ser obtido quando conseguirmos atingir os terroristas com mão de ferro", disse.

Em tom desafiante, Assad recusou-se a sucumbir à mais séria ameaça à sua dinastia, que governa a Síria há 40 anos.

Apesar de ter prometido - até mesmo como parte de uma tentativa de acordo com os países da Liga Árabe - tímidas medidas de abertura, como um referendo sobre uma nova Constituição seguido de eleições parlamentares, o ditador não deu sinais de que pretende deixar o cargo que herdou do pai em 2000. "Não sou alguém que abandona sua responsabilidade", afirmou.

A Liga Árabe denunciou o espancamento de 11 de seus representantes na Síria por parte de manifestantes pró-Assad na cidade de Latakia. A entidade condenou o ataque, afirmando que as forças de segurança não cumpriram a obrigação de proteger os integrantes da missão internacional. Ao todo, cinco monitores teriam sofrido ferimentos durante a ação. / AP, NYT e REUTERS

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