Damasco tem choques mais violentos em 1 ano

Segundo a oposição, ao menos 18 militares morreram em confrontos com forças rebeldes em distrito que abriga embaixadas e residências oficiais

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

20 de março de 2012 | 03h06

Rebeldes do Exército Sírio Livre (ESL) e tropas leais ao ditador Bashar Assad enfrentaram-se ontem em um rico distrito de Damasco. Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, 18 soldados do Exército morreram no confronto. De acordo com a agência estatal Sana, o tiroteio deixou três mortos. Moradores do bairro de Mezzeh disseram que o choque foi o mais violento no local desde o início dos protestos contra o regime, há um ano.

Damasco tem ficado de fora dos protestos contra Assad e tropas do regime reforçaram a segurança da capital. Apesar disso, os dissidentes sírios conseguiram se infiltrar em Mezzeh. O distrito abriga embaixadas, residências de membros do governo e é habitado por alauitas, minoria religiosa da qual Assad faz parte.

Nas últimas semanas, rebeldes do ESL foram expulsos do reduto oposicionista de Homs, centro da Síria, por tropas do Exército. Assad também enviou soldados para dominar as cidades de Idlib (norte) e Deraa (sul).

Segundo moradores do distrito, os confrontos começaram durante a madrugada. Explosões, seguidas de disparos de armas automáticas, foram ouvidas nas ruas de Mezzeh. Helicópteros também sobrevoaram o bairro. Ainda de acordo com testemunhas, a fumaça podia ser vista em alguns prédios ao amanhecer. No começo da manhã, milícias voluntárias pró-Assad - as shabiha - patrulhavam as ruas do distrito.

Os combates ocorreram poucas horas depois da chegada de uma equipe do enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, à Síria. Os assessores de Annan previam se reunir ontem com membros do Ministério do Interior para discutir maneiras de pôr fim à crise.

No domingo, forças de segurança reprimiram uma manifestação de cerca de 200 pessoas que protestavam pela morte de outras 27 em um atentado no sábado. Muitos manifestantes foram presos e agredidos.

Ontem, segundo ativistas sírios, outras 30 pessoas morreram em ofensivas do Exército no interior do país. Entre as cidades atacadas estão Deir el-Zur, Deraa, Hama, Alepo, Idlib e Homs. Desde o início dos protestos contra a ditadura, as Nações Unidas estimam que mais de 8 mil pessoas morreram na repressão na Síria. / EFE e NYT

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