Oli SCARFF / AFP
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Dançando ao som do Abba, Theresa May pede união pelo Brexit

A performance foi uma sátira depois de receber críticas pelo seus movimentos corporais na sua recente viagem à África e pela interrupção de seu discurso no ano passado devido a vários incidentes

O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2018 | 17h51

LONDRES - A primeira-ministra britânica, Theresa May, pediu nesta quarta-feira, 3, aos conservadores para demonstrarem união e apoio ao processo de saída do Reino Unido da União Europeia, e os advertiu dizendo que os mais críticos podem colocar o Brexit em risco. A declaração foi dada durante conferência na cidade de Birmingham, após May entrar no palco dançando ao som de Dancing Queen, do Abba.  A performance da premiê repercutiu na imprensa britânica. Veja o vídeo do Guardian:

A performance foi uma sátira depois de receber críticas pelo seus movimentos corporais na sua recente viagem à África e pela interrupção de seu discurso no ano passado devido a vários incidentes. Em seu discurso, May afirmou estar confiante e tentou unificar os membros do partido Conservador, que defendem um "rompimento duro" com a UE, liderada pelo ex-ministro do Exterior Boris Johnson. "O futuro está em nossas mãos", disse.       

"Se todos seguirmos em direções diferentes, cada um em busca de sua própria visão perfeita do Brexit, nos arriscamos a ficar sem Brexit nenhum", acrescentou a primeira-ministra britânica. Segundo ela, as negociações do processo de "divórcio" estão entrando na fase mais difícil e, portanto, é necessário todos ficarem unidos, além de não perder a calma, para conseguir um "tratado favorável à Grã-Bretanha.       

"O Reino Unido não tem medo de sair sem acordo se for necessário. Mas precisamos ser honestos sobre isso. Sair sem um acordo, introduzir tarifas e dispendiosas vistorias na fronteira seria um mau desfecho para o Reino Unido e para a UE", afirmou. De acordo com o resultado do referendo de 2016, o Reino Unido irá sair do bloco europeu em 29 de março de 2019. No entanto, até o encerramento deste ano, o país e a UE precisam negociar como será as relações futuras e o período de transição do acordo. 

Além disso, Theresa May aproveitou o momento para ampliar sua pauta doméstica e atacou o Partido Trabalhista, dizendo que suas propostas - reestatização de setores como correios, ferrovias e prestadoras de serviços - elevaria os impostos e afastaria empresas.

Renúncia

A líder conservadora tem sido pressionada e é alvo de críticas na oposição e até dentro de seu próprio partido, onde são cada vez maiores os questionamentos sobre seu papel como chefe de governo. E isso ficou claro horas antes de seu discurso.       

Mais cedo, o deputado conservador James Duddridge anunciou ter submetido uma carta ao Palácio de Westminster pedindo a renúncia de May. Esta é primeira moção oficial de censura contra a liderança da primeira-ministra. O pedido foi enviado ao comitê 1922, organismo do partido conservador encarregado de convocar as eleições de um novo líder em caso de conseguir o apoio de um quórum mínimo de deputados. No entanto, são necessárias 48 cartas para provocar a votação de uma moção de confiança. / ANSA 

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