Oswaldo Rivas/Reuters
Oswaldo Rivas/Reuters

Presidente da Nicarágua descarta diálogo com a oposição e propõe eleições para 2021

Daniel Ortega discursou em ato que comemorou os 40 anos da revolução que derrubou a ditadura de Anastasio Somoza no país

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2019 | 01h07

MANÁGUA - O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, descartou nesta sexta-feira, 19, retomar as negociações com a oposição ou mesmo antecipar as eleições previstas para 2021. Segundo o presidente, o único diálogo que tem sentido nas atuais circunstâncias do país é com os camponeses, artesãos, pequenos produtores e com os que estão "dispostos a trabalhar pela paz e pelo desenvolvimento econômico".

Ortega, que liderou um ato comemorativo do 40º aniversário da revolução que derrubou a ditadura de Somoza na Nicarágua, acusou, durante discurso para uma multidão, Donald Trump de sancionar autoridades de seu governo ligadas à crise.

A opositora Aliança Cívica pela Justiça e a Democracia propôs retomar as negociações que tinham como objetivo superar a crise do país no próximo dia 31 de julho, conforme disposto pela Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA).

A Assembleia resolveu, no mês passado, que o governo e a oposição deveriam retormar as negociações "de boa fé" para encontrar uma saída para a crise que deixou centenas de mortos em 15 meses, dando um prazo de 75 dias para analisar a situação da Nicarágua.

Em dezembro do ano passado, o presidente dos Estados Unidos assinou a "Nica Act", que impõe sanções individuais aos membros do governo de Ortega, além de limitar o acesso da Nicarágua a empréstimos internacionais como os do Banco Mundial e do Banco Interamericano Desenvolvimento (BID).

O Departamento do Tesouro dos EUA sancionou a esposa de Ortega e o vice-presidente da Nicarágua, Rosario Murillo, bem como seu parente e chefe da Polícia Nacional, Francisco Díaz, além de Laureano Ortega Murillo, um dos filhos do casal presidencial, entre outros.

Crise

Desde abril de 2018, a Nicarágua vive uma crise sociopolítica que deixou pelo menos 326 mortos, segundo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), embora as organizações locais elevem o número para 595 e o governo reconheça 200 e denuncie uma suposta tentativa de golpe de Estado.

Segundo o relatório do Grupo Interdisciplinar de Peritos Independentes (GIEI), vinculado à CIDH, o principal responsável pela violência é o governo de Ortega, a quem responsabilizam de cometer inclusive "crimes contra a humanidade" no meio da crise. / AFP e EFE

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