REUTERS/Ricardo Rojas
REUTERS/Ricardo Rojas

Danilo Medina é reeleito presidente da República Dominicana

Presidente terá como desafio reduzir a criminalidade e a pobreza no país, que afeta 40% da população

O Estado de S. Paulo

17 Maio 2016 | 09h37

SANTO DOMINGO - O presidente da República Dominicana, Danilo Medina, assegurou na segunda-feira sua reeleição para um novo mandato de quatro anos, com o desafio de conseguir que o crescimento econômico reduza a pobreza e os abismos sociais no país.

Medina, do Partido da Libertação Dominicana (PLD) - há 12 anos no poder -, liderava com 61,96% dos votos nas eleições de domingo, contra 35,23% de Luis Abinader, do social-democrata Partido Revolucionário Moderno (PRM), após apurados os votos de 58% das seções eleitorais.

Nenhum candidato à presidência dominicana havia registrado um índice tão elevado de votos. Considerado o governante mais popular da América Latina, Medina tem a seu favor o crescimento econômico do país (7% em 2015) e a proximidade das pessoas com seu estilo de governo.

"O domínio dos órgãos do Estado, a administração de recursos sem um Congresso que faça contrapeso, a política de assistência social e a estabilidade macroeconômica o favoreceram", afirmou o cientista político Rafael Toribio Domínguez, ex-reitor do Instituto Tecnológico de Santo Domingo.

O PLD também terá maioria no Congresso, com 24 dos 32 assentos do Senado e 112 de 190 deputados, segundo as projeções, bem como municípios, embora tenha perdido na capital, Santo Domingo.

Danilo Medina sempre apareceu nas pesquisas como favorito para a reeleição, com uma oposição debilitada após a divisão, em 2014, do poderoso Partido Revolucionário Dominicano (PRD), que deu origem ao PRM.

O economista e químico de 64 anos superou em 10 pontos porcentuais os votos obtidos em 2012 e, se esta tendência se mantiver, assumirá em 16 de agosto o quinto mandato do PLD, o quarto consecutivo. Na ocasião, ele havia sido eleito sem a opção de reeleição imediata, mas em 2015 conseguiu aprovar uma reforma constitucional que permitiu a disputa do segundo mandato.

A Junta Central Eleitoral (JCE) ainda não divulgou o porcentual de participação dos 6,7 milhões de dominicanos registrados para votar.

A previsão é que Medina vá às 18h (19h em Brasília) ao seu comando de campanha para dar o discurso da vitória. Seu adversário ainda não reconheceu a derrota.

Desafios. Com praias paradisíacas que atraem turistas do mundo inteiro, a República Dominicana é um dos países com maior crescimento econômico da América Latina, mas a pobreza afeta 40% dos 10 milhões de dominicanos.

Gaspar Estrada, diretor-executivo do Observatório Opalc na América Latina Sciences Po Paris, comentou que o resultado das eleições ilustra o bom crescimento econômico, mas "há muito trabalho a fazer" para que seja "inclusivo".

As desigualdades sociais são alarmantes: 20% dos mais pobres não recebem nem 5% das riquezas do país, enquanto os 20% mais ricos se beneficiam com 50%, segundo a ONG britânica Oxfam.

O presidente terá que melhorar o deficitário sistema de energia e adotar uma reforma fiscal, mas não estrutural, pois evitará "erodir a base de apoio do PLD", segundo o centro de análises Eurasia Group, sediado em Nova York.

O cientista político Berlaminio Ramírez disse que Medina também terá o desafio de reduzir a criminalidade e fortalecer a institucionalidade do país.

Analistas apontam, ainda, a urgência de uma reforma do sistema eleitoral, com mais equidade e controle nos recursos utilizados pelos partidos, assim como a necessidade de superar as deficiências do processo de votação. A contagem de votos é lenta e confusa, pois foram aplicados dois tipos de escrutínio: um manual e outro eletrônico, mais rápido, mas rejeitado pela oposição.

A votação no domingo foi perturbada por problemas de logística, atrasos na abertura das urnas e denúncias de proselitismo político fora dos recintos eleitorais. Esta seria a primeira eleição com registro das digitais ao se emitir o voto e transmissão eletrônica dos resultados, mas muitas máquinas não funcionaram e não havia quem resolvesse os problemas, pois cerca de 3 mil técnicos renunciaram pouco antes da votação, o que será investigado pela JCE.

Em um país com um passado traumático, com a ditadura de Rafael Trujillo (1930-1961), intervenções dos EUA e perpetuações no poder, como Joaquín Balaguer, a hegemonia que o PLD está consolidando preocupa parte dos dominicanos.

Violência. Seis pessoas foram mortas a tiros em centros eleitorais após encerrada a votação, afirmou o chefe da autoridade eleitoral na segunda-feira, colocando a culpa pelos confrontos nos atrasos provocados pela insistência de partidos na contagem manual de votos.

Roberto Rosario, que chefia a comissão eleitoral do país caribenho, afirmou que as tensões aumentaram nas horas posteriores ao fim da votação na noite de domingo, à medida que ativistas de diferentes partidos se frustavam cada vez mais com o ritmo lento da apuração.

"Seis mortes foram registradas depois do fechamento das urnas, seis dominicanos que morreram no processo de contagem. Ninguém liga para isso, mas nós ligamos, é o que nós não queríamos que ocorresse”, declarou ele à imprensa. Os nomes das vítimas não foram divulgados.

Antes das eleições, alguns partidos insistiram que os votos fossem contados manualmente, alegando medo de fraude. “Nossa grande preocupação foi sempre a incerteza depois da votação”, disse Rosario. /AFP e Reuters

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