Danúbio não foi contaminado, diz Budapeste

Os resíduos tóxicos da avalanche de lama vermelha provocada por um acidente em uma fábrica de alumínio na Hungria foram diluídos no Rio Danúbio e não há risco de uma catástrofe ambiental ainda maior na Europa do Leste. O diagnóstico foi anunciado ontem por autoridades de Budapeste, depois de constatarem que o pH do rio não havia sido significativamente alterado.

AP, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2010 | 00h00

A avalanche de pelo menos 700 mil metros cúbicos de lama tóxica invadiu três cidades do centro da Hungria na quarta-feira, obrigando Budapeste a decretar estado de emergência em três províncias. Temendo a contaminação da malha fluvial de toda região, países vizinhos também entraram em alerta. Ontem subiu para sete o número de mortos pela contaminação e há ainda pelo menos dois desaparecidos.

A ONG WWF anunciou, também ontem, ter uma foto que supostamente prova que o vazamento da fábrica húngara começou em junho. A companhia não comentou o caso.

O Greenpeace acusa Budapeste de ter inicialmente subestimado a tragédia. Níveis de substâncias como arsênico e mercúrio seriam muito mais altos do que o divulgado pelas autoridades.

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, afirmou que a ameaça no Danúbio foi eliminada. "Conseguimos tomar controle (do desastre) a tempo", disse Orban à TV húngara. A Comissão de Proteção do Danúbio, grupo com sede em Viena, confirmou a informação. "As consequências (da avalanche de lama) não parecem ser tão dramáticas", afirmou o porta-voz do grupo, Philip Weller.

O pH do local onde a lama atingiu o Danúbio atingiu ontem a cifra de nove - abaixo dos 13,5 medidos no Rio Marcal, o mais contaminado pelo acidente.

A contaminação pelos metais pesados da lama vermelha terá efeitos por anos na região onde fica a fábrica de alumínio. Por isso, autoridades evitam fazer estimativas sobre a extensão e o custo total da catástrofe.

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