Darfur é retrato da velha África

Conflitos étnicos como o do Sudão ampliam mazelas do continente

Mariana Della Barba, enviada especial de O Estado de S. Paulo,

18 de dezembro de 2007 | 15h18

Além da disputa por territórios e riquezas, o conflito étnico-religioso é a origem de várias guerras que atingem a África. Atualmente, o mais sangrento ocorre no oeste do Sudão, na região de Darfur. O conflito começou em 2003, quando moradores da região, muçulmanos negros, se rebelaram contra o governo, alegando que Cartum os estava negligenciando ao favorecer grupos de muçulmanos árabes.   África, um continente em transformação China vai à África e muda o continente A África que prospera: Angola vive ‘milagre econômico' Meninos-soldados tentam esquecer a infância Brasileiros faturam alto no mercado angolano Zimbábue de Mugabe vai na contramão Vítimas da guerra: violência sexual ainda é epidemia Imagens da África   O governo decidiu então apoiar milícias árabes tribais para combater os rebeldes de Darfur. Conhecidos como janjaweeds, os milicianos passaram a pilhar e incendiar vilas, seqüestrar, estuprar e matar milhares de civis. Cartum então negou que tivesse contratado os grupos armados árabes. O que se viu foi o desenrolar de uma das piores crises humanitárias da atualidade.   Os massacres já deixaram mais de 200 mil mortos e obrigaram mais de 2 milhões a abandonar suas casas. Os refugiados de Darfur foram obrigados a vagar pelo deserto - do tamanho da França - e a cruzar as fronteiras do país, principalmente em direção ao Chade e à República Centro-Africana, espalhando o conflito por toda a região. O governo sudanês é acusado de promover uma limpeza étnica ao obrigar milhões a se refugiar.   Uma após a outra, as tentativas de promover um acordo de paz na região fracassaram, apesar de toda a pressão internacional. Com 7 mil soldados, a força de paz da União Africana está longe de conter o conflito. Na Somália, o governo interino luta, desde 2006, contra insurgentes islâmicos. As batalhas já obrigaram mais de 1 milhão de somalis a fugir, transformando a capital Mogadíscio numa cidade fantasma.   Na Nigéria, conflitos entre muçulmanos do norte e cristãos do sul impulsionam a violência que prejudica o crescimento do país, apesar de ele ter a maior reserva de petróleo da África.

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