Darfur: Sudão assina acordo sobre papel das forças africanas

O governo sudanês assinou um acordo com a ONU e a União Africana (UA) sobre "o papel e os deveres" das forças africanas e das Nações Unidas na região de Darfur (oeste sudanês), segundo informam nesta segunda-feira, 16, os meios de comunicação sauditas.Estas fontes publicam que o presidente do Sudão, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, ligou na noite de domingo, 15, para o rei saudita, Abdullah bin Abdul Aziz, presidente rotativo da Liga Árabe, para informar-lhe sobre "o acordo".Nem a agência saudita SPA, que transmitiu esta notícia no começo da madrugada desta segunda-feira, nem os jornais sauditas informaram outros detalhes sobre esse acordo.No entanto, asseguraram que é "um dos frutos" dos esforços do monarca saudita em favor de uma solução para o conflito de Darfur durante a cúpula árabe realizada no final de março em Riad."O rei expressou sua satisfação pela conquista do acordo, que favorecerá a estabilidade, a unidade e a segurança do Sudão", disseram as fontes.Cúpula árabeNa cúpula árabe de março, o monarca saudita organizou uma reunião em Riad entre Bashir e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para tentar convencer o chefe de Estado sudanês a aceitar o posicionamento de forças internacionais em Darfur.A reunião teve a participação dos secretários gerais da Liga Árabe, Amre Moussa, e da Organização da Conferência Islâmica (OCI), Ekmeleddin Ihsanoglu, além do presidente da Comissão da União Africana (UA), Alpha Konare.O soberano saudita tentou então convencer Bashir de que uma força internacional não representaria nenhuma ameaça à soberania do Sudão, mas o líder sudanês insistiu em que as tropas de paz devem ser só africanas.O subsecretário de Estado americano, John Negroponte, que chegou no domingo ao Sudão, onde se reuniu com Bashir e visitou Darfur, pressionou as autoridades sudanesas para que aceitem o posicionamento de tropas internacionais na conflituosa região.No entanto, as autoridades sudanesas afirmavam até domingo que só aceitam o aumento das forças da UA em Darfur, e que estas receberiam apoio logístico internacional.A emissora de TV Al Jazera informou nesta segunda-feira de Cartum que o governo sudanês aceitou o envio de "helicópteros" internacionais para apoiar a missão da UA em Darfur.O conflito nessa região, fronteiriça com o Chade, começou em fevereiro de 2003, quando dois grupos rebeldes pegaram em armas para protestar contra a pobreza e a marginalização da zona, e desde então a guerra causou mais de 200 mil mortos e dois milhões de refugiados.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.