Data das eleições no Haiti ainda é incerta

Consta que o governo interino do Haiti marcou mesmo para 7 de fevereiro o primeiro turno das eleições presidenciais e legislativas. Notícia sujeita ainda a confirmação, porque nesta cidade de incertezas e boatos, começou a correr ontem a versão de que o Conselho Eleitoral Provisório (CEP) decidiu adiar a data para 12 de março, para aproveitar o prazo máximo sugerido pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Segundo fontes diplomáticas, o presidente interino Boniface Alexandre já teria assinado um arreté (documento equivalente a um decreto do Executivo), no qual oficializaria 7 de fevereiro. Na semana passada, o primeiro-ministro Gérard Latortue comunicou a representantes do grupo de países amigos do Haiti a escolha dessa data. Diante de mais essa incerteza, depois de quatro adiamentos, ninguém se arrisca a apostar em mais nada, enquanto o decreto não for publicado. Os sucessivos adiamentos do primeiro turno se devem ao atraso na organização do esquema eleitoral, que não conseguiu entregar ainda nem metade das cédulas de identidade que darão acesso a cerca de 3,4 milhões de haitianos às urnas. Está atrasada também a montagem de postos de votação, especialmente no interior. Distribuição de cédulas e postos dependem da ajuda de funcionários civis e das tropas militares da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah). "Nós escoltamos as carretas que trazem os contêineres com material eleitoral da fronteira da República Dominicana e depositamos aqui na base para entregar ao pessoal da ONU", informou o coronel Luiz Augusto de Oliveira Santiago, comandante do Batalhão Haiti, um dos contingentes da Força Militar da Minustah. No Forte Nacional, posto avançado dos capacetes azuis brasileiros no bairro de Bel Air, ainda é moderado o movimento de eleitores que se apresentam para retirar seus documentos. Nem chegam a fazer filas, enquanto pilhas da cartões de identidade nacional, que valem como títulos eleitorais, se acumulam em cima das mesas, numa barraca de lona. "Vou votar em René Préval, é ele quem vai ganhar", disse o pedreiro Charles Vilçon, de 32 anos, um dos eleitores que foram buscar os cartões ontem de manhã. Ele e mais quatro amigos, todos partidários do ex-presidente Préval, argumentaram em coro que fizeram essa opção para acabar com a crise no Haiti. "Não queremos que Aristide (Jean-Bertrand Aristide, deposto em fevereiro de 2004) volte ao país", disse Vilçon. Nas ruas de Porto Príncipe, os cartazes e faixas de propaganda eleitoral se confundem com anúncios comerciais, quase sempre escritos em francês e crioulo, as línguas oficiais do país. Entre eles, apelos da Minustah, que em nome da ONU convida o povo a votar pela democracia.

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