Peter Macdiarmid/AP
Peter Macdiarmid/AP

David Cameron, o fã do trabalhista Blair e da conservadora Thatcher

O mais jovem primeiro-ministro britânico desde 1812 tenta se manter no cargo apesar das dificuldades econômicos da Grã-Bretanha

Fernando Nakagawa, Correspondente / Londres, O Estado de S. Paulo

07 de maio de 2015 | 10h37

LONDRES - Pragmático e sem muitas amarras ideológicas, David Cameron ocupa o cargo político máximo da Grã-Bretanha desde 2010. Aos 43 anos, ganhou o título de primeiro-ministro britânico mais jovem desde 1812. Agora, com 48, se prepara para uma eleição que não será nada fácil. Apesar do crescimento econômico e desemprego em queda, os problemas do sistema de saúde e o aumento da imigração são fardos que pesarão nas urnas para Cameron.

No mundo político britânico, aliados e opositores dizem que uma característica de David William Donald Cameron é a competitividade. Até derrotas nas partidas de tênis no fim de semana podem se transformar em tema por vários dias. Quem o conhece, diz que Cameron se preparou durante boa parte da vida para ocupar o número 10 da Downing Street, residência oficial do primeiro-ministro. Filho de um negociador da bolsa de valores, o político teve uma infância confortável e histórico escolar invejável. 


Ingressou no Eton College, escola que formou duas dezenas de primeiros-ministros. Pouco antes de sair, o adolescente Cameron teria sido flagrado fumando maconha semanas antes do último e mais importante exame da vida escolar dos britânicos. Passado o caso, fez a prova e foi admitido no tradicional Brasenose College da Universidade de Oxford, onde estudou Filosofia, Política e Economia. Lá, participou do ainda mais seleto Bullingdon Club, grupo que originalmente tinha fins esportivos, mas ficou conhecido pelos banquetes e o vandalismo na cidade. 

Conta-se que após deixar a Universidade, Cameron teria sido contatado por supostos representantes da KGB - o serviço secreto russo. Os agentes teriam tentando recrutar o jovem para se juntar aos comunistas. Ledo engano. Cameron sempre teve olhos para a política liberal, aquela contrária à pregada pelos soviéticos. Tanto que, logo após Oxford, Cameron entrou no Partido Conservador e começou a trabalhar em cargos internos. Nessa época, conciliou o início vida da política com o trabalho de relações públicas em um antigo canal privado de televisão, a Carlton Television.

Apesar de não ter hesitado em ingressar no Partido Conservador, Cameron já titubeou ao falar das referências políticas. Certa vez, declarou ser "herdeiro de Tony Blair". Do opositor Partido Trabalhista, Blair ocupou o cargo de primeiro-ministro entre 1997 e 2007 e ficou conhecido pela "Terceira Via" - modo de governar que mesclava políticas sociais da esquerda e estratégia econômica de direita. Para tentar afastar o mal entendido, Cameron também já se declarou "grande fã de Margaret Thatcher" - líder histórica do Partido Conservador. 

Aliados dizem que Cameron tem habilidade e pragmatismo e isso permitiu ao atual governo reagir corretamente na economia. Mas a economia dá sinais de fraqueza e, entre os políticos, o primeiro-ministro também é criticado por suposta "falta de apego aos valores partidários". Alas à direita do Partido Conservador criticam a maneira flexível que ele tem de governar. Essas reclamações somadas à insatisfação dos eleitores colocaram o político contra a parede. 

Pressionado, Cameron parece ter dados passos à direita e passou a usar o referendo sobre a permanência dos britânicos na União Europeia como uma das principais promessas de campanha. A decisão de consultar a população sobre eventual saída da UE recebeu crítica de aliados como os liberais-democratas e sofreu forte rejeição de empresários e investidores - tradicional campo de voto fácil para os conservadores.

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