David Cameron quer pressão sobre UE por mudanças em benefícios a imigrantes

O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, deve fazer uma pressão de última hora para fazer com que o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, ofereça mudanças mais significativas para os benefícios sociais de imigrantes europeus em território britânico. O esforço é parte de uma agenda maior sobre o relacionamento do país com a União Europeia.

Estadão Conteúdo

31 Janeiro 2016 | 17h24

A reunião em Londres ocorre num momento crucial para as negociações, as quais devem pavimentar o caminho para um planejado referendo nacional sobre a participação do Reino Unido no bloco. Tusk, que tem liderado formalmente as negociações por Bruxelas, deve escrever a líderes da União Europeia na segunda-feira para definir suas propostas para endereçar as demandas britânicas. Segundo uma autoridade da UE, é muito improvável que Tusk ofereça qualquer mudança relacionada aos tratados que dizem respeito a princípios fundamentais como o de livre trânsito entre os países do bloco.

Em uma mensagem no Twitter neste domingo, Tusk escreveu que vai apresentar soluções para todas as demandas de Cameron, mas acrescentou que o acordo deve ser aceitável para todos os países da UE, sem comprometimento em liberdades fundamentais.

Cameron prometeu aos britânicos negociar uma série de mudanças no relacionamento do Reino Unido com a União Europeia antes de realizar um referendo. Nenhuma data foi estabelecida ainda, mas o plebiscito nacional poderia ocorrer em junho se Cameron e outros líderes do bloco concordarem com um acordo na próxima conferência da União Europeia em Bruxelas, nos dias 18 e 19 de fevereiro.

A demanda mais polêmica de Cameron é a de que imigrantes da UE deveriam ser elegíveis para receber benefícios a trabalhadores apenas depois de estarem no Reino Unido por quatro anos. A proposta, à qual Cameron diz que é necessária para ajudar a conter o fluxo de imigrantes para o país, tem sido criticada por muitos políticos como discriminatória.

Uma pessoa familiar ao assunto do lado do Reino Unido disse que Cameron iria dizer a Tusk neste domingo que a proposta para o chamado breque de emergência que limitaria os pagamentos de benefícios a imigrantes não vai longe o suficiente e deve ser fortalecida. Cameron vai afirmar que um acordo mais amplo só será possível se o breque for aplicado aos níveis atuais de imigração para o Reino Unido, puder ser aplicado imediatamente depois do referendo e tiver uma duração longa o suficiente para resolver o problema. Ele deverá argumentar ainda que o breque deve ser apenas algo emergencial antes que um mecanismo mais permanente seja criado.

O debate em torno da participação na União Europeia está ganhando força no Reino Unido, com apoiadores de diferentes posições adotando posturas mais duras em meio a expectativas crescentes de que o referendo ocorra ainda neste verão europeu.

Os mais céticos com o bloco, incluindo muitos no Partido Conservador, de Cameron, deve levar o Reino Unido a ganhar controle sobre uma série de áreas da política, incluindo imigração e comércio. Fonte: Dow Jones Newswires.

Mais conteúdo sobre:
Reino Unido União Europeia imigração

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.