De acordo com censo, bebês brancos já são minoria nos EUA

Queda no número de recém-nascidos do grupo étnico predominante no país aponta para o fim da maioria racial

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2012 | 03h07

Pela primeira vez na história dos EUA, o número de recém-nascidos brancos ficou abaixo da metade do total de nascimentos registrados no país, de acordo com o censo de 2011. O fim da maioria racial ocorreu após uma queda de 11,4% nos nascimentos de bebês brancos no ano passado.

Entre as minorias, também houve redução, mas bem menor, de 3,2%, o que representa um aumento proporcional. Na avaliação de demógrafos, a diminuição teria sido causada por famílias que optaram por adiar a decisão de ter um filho em razão da crise econômica que atingiu os EUA.

Apesar de hispânicos e asiáticos terem se transformado em maioria entre os recém-nascidos, houve uma redução no número de imigrantes que chegam aos EUA, segundo informações do censo publicadas ontem. Em 2001, a população latina crescia 4,2% ao ano. Em 2011, aumentou apenas 2,5%. Uma desaceleração similar é observada entre os asiáticos.

Os demógrafos americanos estudam agora qual das duas tendências afetará mais a composição da população dos EUA no futuro: se a queda da imigração hispânica e asiática compensará ou não a menor taxa de natalidade dos brancos.

Estimativas recentes, antes da publicação das informações de ontem, indicavam que a população branca deixaria de ser maioria nos EUA por volta de 2040. Agora, com esses dados, novas previsões devem ser feitas.

Ontem, havia divisões sobre se a data do fim da maioria branca nos EUA ocorrerá antes ou depois de 2040. Atualmente, as minorias representam 36,4% do total dos residentes no país.

De acordo com dados publicados ontem pelo censo, pouco menos de 2 milhões de bebês brancos nasceram nos EUA entre julho de 2010 e julho de 2011. Seis anos antes, esse número era de 2,5 milhões. Ao mesmo tempo, entre as minorias, o total de nascimentos foi de pouco mais de 2 milhões, ou 50,4% do total. Em 1990, o índice era de apenas 37%.

Nos EUA, a população é dividida entre brancos, negros, hispânicos, asiáticos, nativos (indígenas) e outros. Os provenientes de países da América Central e Caribe, de língua espanhola, são colocados na subdivisão hispânica, mesmo que tenham origem branca, negra ou indígena.

Brasileiros, haitianos e jamaicanos ficam em uma espécie de limbo e se definem como quiserem. Os árabes, nos últimos anos, tentam se identificar como uma etnia separada.

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