Evan Vucci / AP
Evan Vucci / AP

De amigos a inimigos: a relação de Trump com líderes mundiais

Emmanuel Macron é apenas mais um na lista de ‘antes amigos, agora rivais’ do presidente americano; veja outras relações dele que azedaram com o tempo

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2019 | 10h57

LONDRES - A relação deles já foi manchete dos principais jornais do mundo. Mas nesta semana ficou claro que os dias em que o presidente americano, Donald Trump, e seu colega francês, Emmanuel Macron, trocavam beijos no rosto e apertavam as mãos acabaram.

Em paralelo à cúpula que marca os 70 anos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Trump desafiou seu amigo de outrora ao citar os comentários feitos por Macron em novembro - criticando a postura de Trump à frente do grupo - e questionar diversas políticas do líder francês.

Trump é conhecido por tentar construir relações pessoais com seus colegas, mas também por sua postura com relação à imprensa e seus comentários regulares no Twitter. E Macron é apenas mais um na lista de “antes amigos, agora rivais”.

Macron: Jantar na Torre Eiffel e depois censura

A amizade entre Trump e Macron ficou em evidência em 2017, quando o presidente americano realizou sua primeira viagem oficial à França.

Macron fez de tudo: parada militar, jantar na Torre Eiffel e muitos apertos de mão. Apesar das diferenças entre eles em relação a inúmeros assuntos, os dois se trataram educadamente.

Durante uma visita de Macron à Casa Branca em abril de 2018, os dois líderes trocaram beijos no rosto e, em um determinado momento, Trump gentilmente retirou o que ele disse ser uma caspa do ombro do francês. Os dois trocaram elogios e minimizaram suas diferenças com relação a comércio, imigração e mudanças climáticas.

Mas, no fim de 2018, o relacionamento começou a azedar por diferenças políticas. Os cumprimentos com beijos no rosto deram lugar a formalidades e sorrisos amarelos sempre que se encontravam.

No início de novembro, Macron tirou as luvas. Ele disse que os EUA sob o governo Trump pareciam estar “se virando contra nós”, e que a falta de liderança e coordenação estratégica do americano levou a Otan a um estado de “morte cerebral”.

Quando os dois presidentes apareceram juntos em uma entrevista coletiva na terça-feira, 3, a relação parecia ter ruído de vez. Em um dado momento, Trump qualificou a resposta diplomática de Macron para um certo problema como “uma das maiores não-respostas que eu já ouvi”.

Em outra hora especialmente tensa, os dois discutiam sobre o combate aos jihadistas do Estado Islâmico (EI) na Síria. Brincando, Trump ofereceu à França combatentes em cativeiro. “Você gostaria de alguns bons soldados do EI?”, questionou o americano. “Sejamos sérios”, respondeu Macron.

Bolsonaro: Elogios e depois tarifas

Quando Trump encontrou o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, na Casa Branca pela primeira vez, em março, teceu vários elogios ao líder latino-americano. “Acho que o relacionamento do Brasil com os EUA, por causa da nossa amizade, é melhor do que jamais foi até agora”, afirmou o americano.

Bolsonaro, um ex-capitão do Exército, é criticado por sua apologia à ditadura militar que esteve no poder no Brasil por décadas e seus comentários polêmicos sobre as mulheres e os homossexuais. Mas, apesar disso, Trump recebeu calorosamente o brasileiro e prometeu que a relação pessoal ajudaria a estreitar a cooperação comercial entre eles. 

Contudo, esse relacionamento parece ter esfriado. Na segunda-feira, 2, Trump anunciou que retomará as tarifas sobre aço e alumínio do Brasil e da Argentina, acusando os dois países de manipular suas moedas às custas dos agricultores americanos. 

No dia seguinte, Bolsonaro disse que trataria o assunto diretamente com Trump. Mas as tarifas podem dificultar a retomada da relação dos dois, antes próximos.

Trudeau: Precipitação sobre o comércio

Parecia improvável uma amizade entre Trump e o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau - que ganhou elogios pelo mundo por seu gabinete equilibrado em gênero e por suas políticas progressistas. Mas, para o canadense, se aproximar de seu poderoso vizinho do sul é prioridade.

A questão do comércio, no entanto, causaria uma ruptura. Ela começou em maio de 2018, quando Trump anunciou que ampliaria as tarifas sobre aço e alumínio para incluir o Canadá, o maior exportador dos dois materiais para os EUA. O país, por sua vez, retribuiu o favor, anunciando suas próprias tarifas sobre US$ 12,8 bilhões sobre produtos americanos.

Uma ligação tensa foi realizada posteriormente - na qual Trump mencionou acusações infundadas de atos de agressão canadenses de 200 anos atrás contra Washington. Quando o G-7 se reuniu em junho de 2018, eles não estavam mais conseguindo se segurar. “Canadenses são educados. Somos sensatos, mas também não seremos pressionados”, disse Trudeau.

Trump abandonou o encontro antes do fim e, em uma série de tuítes, criticou Trudeau de “muito desonesto e fraco”. Ele disse que os EUA não assinariam o acordo que os outros membros estavam de acordo.

Abe: Um namoro através do golfe, mas com poucos resultados concretos

Trump e o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, passaram muitas horas juntos. Eles visitaram uma arena de sumô, jantaram com suas esposas e jogaram golfe - tanto no resort de Trump em Mar-a-Lago, na Flórida, quanto durante uma visita do americano a Tóquio em maio.

“Conseguimos nos conhecer muito, muito, muito bem” através do golfe, disse Trump a repórteres em 2017.

Apesar dos jantares e do tempo juntos, os dois têm conseguido entrar em acordo apenas sobre um tratado comercial limitado, que deixa de fora carros japoneses, produtos industrializados americanos e artigos de fazenda, como arroz, manteiga e açúcar.

Para Abe, a questão é se os esforços dele em agradar Trump valerão a pena. / NYT 

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