Ronen Zvulun/Reuters
Ronen Zvulun/Reuters

De baby-sitter a salva-vidas, Netanyahu vira personagem em vídeos de campanha

Na reta final das eleições em Israel, premiê se utiliza da mesma técnica das eleições passadas de esquetes cômicas para se mostrar como o protetor do país

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2019 | 05h30

JERUSALÉM - Na batalha para estender seu posto como o primeiro-ministro com maior mandato em Israel nas eleições que ocorrem nesta terça-feira, 17, Binyamin Netanyahu alertou eleitores de diversos perigos, da agitação em territórios ocupados a armas nucleares no Irã.

Horas antes das eleições começarem nesta terça-feira, 17, ele fez um novo alerta: para sexo em dia de eleição.

O dia de votação é um feriado nacional em Israel, e o partido de Netanyahu, o Likud, publicou um vídeo de última hora para estimular seus apoiadores a irem votar.

No roteiro, a propaganda pede para que a população não gaste o dia livre indo à praia, descansando no sofá ou, como sugerido por uma cena com quatro pés por debaixo de lençóis, fazendo uma farra na cama.

O vídeo encerra com a mensagem de que, enquanto você está aproveitando o dia, “a esquerda está se preparando para assumir o governo”.

O recado final pode ter soado estranho para analistas políticos dos Estados Unidos, que costumam criar um clima de vitória e prosperidade ao final da camapanha. Em contraste, a mensagem de Netanyahu foi: estou perdendo.

As últimas pesquisas de opinião em Israel mostraram a corrida entre o atual premiê e o ex-chefe de Estado Maior do exército, general Benny Gantz, do Azul e Branco, muito próximos ou com uma singela vantagem do Likud.

Com a esperança de motivar sua base eleitoral a ir votar pela segunda vez em cinco meses, já que Netanyahu foi eleito em abril, mas não conseguiu formar governo, o premiê tem feito uma campanha ostensiva, mas para alguns, desesperada e com a sensação de jogo perdido.

Diversos vídeos de campanha nos últimos meses mostram Netanyahu como protagonista em papeis diferentes, orientando seus eleitores a votarem nele, como a melhor alternativa aos seus inimigos.

Em uma cena filmada na praia, “Bibi” aparece como um salva-vidas que pede para que os banhistas no mar “se mantenham à direita, é muito mais seguro”.

Sob a imagem de “protetor”, ele alerta os jovens que depende deles escolher aquele “que vai mantê-los seguros”.

No vídeo, Netanyahu destila indiretas a um dos integrantes do partido opositor Azul e Branco, Moshe Ya'alon, além de criticar Avigdor Lieberman, do Yisrael Beitenu, ambos ex-ministros de Defesa do atual premiê, e hoje opositores políticos.

A mensagem final do vídeo mostra Bibi olhando diretamente para a câmera e falando com os “cidadãos de Israel”. “No mar agitado do Oriente Médio, nós provamos que estamos mantendo Israel como uma ilha de estabilidade e segurança”.

O humor nas campanhas eleitorais de Netanyahu não é uma novidade. Em 2015, um vídeo que viralizou mostra o premiê tocando a campainha na casa de um casal surpreso, anunciando: “Você ligou para uma baby-sitter? Você tem um Bibi-sitter”.

A mulher pergunta: “Você vai cuidar de nossos filhos?”. Netanyahu responde que as únicas alternativas seriam seus principais adversários nas eleições de 2015: o então líder do Partido Trabalhista, Isaac Herzog, e a ex-negociadora de paz Tzipi Livni.

As eleições de setembro de 2019, não previstas no início do ano, mexeram com os cálculos usuais do fragmentado sistema político israelense, em parte porque o receio de baixa participação de eleitores exaustos pode se concretizar.

O momento da campanha, coincidindo com as férias de verão no país, também alterou as regras. Alguns candidatos apareceram em praias perto de Tel Aviv, seus sapatos sociais misturados na areia.

O partido Azul e Branco de Gantz levantou outdoors nas praias da vizinha ilha de Chipre, com a esperança de serem notados por isralenses passando férias. / W. POST

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