De Blasio é eleito prefeito de NY

Após 20 anos e com grande folga, nova-iorquinos recolocam o Partido Democrata no poder da maior cidade dos EUA

06 de novembro de 2013 | 01h03

Blasio abraça a mulher e os dois filhos após a vitória. (Foto: Carlo Allegri /Reuters)

 

 

(Atualizada às 9h05 ) NOVA -YORK -Com quase 50 pontos de vantagem, com 99% das urnas apuradas, o democrata Bill de Blasio venceu a eleição para a prefeitura de Nova York, recolocando o partido no poder da maior cidade dos EUA, após 20 anos. A diferença sobre o republicano Joe Lhota foi tão grande que, antes mesmo do início da apuração, agências e emissoras de TV já deram como certa sua vitória. A contagem final dava 73% dos votos a De Blasio e 23% ao republicano Joe Lhota.

 

"Meus concidadãos nova-iorquinos, hoje vocês falaram alto e com clareza sobre a nova direção que querem para nossa cidade", disse o prefeito eleito em seu discurso da vitória. "Não se enganem. O povo da cidade escolheu um caminho progressista e nós, juntos, o colocaremos em prática."

 

Durante o dia, De Blasio fez um último apelo para tentar convencer a população a ir às urnas, defendendo que uma ampla vitória lhe renderá capital político para promover as mudanças prometidas em setores como segurança pública e redução da pobreza.

"No processo político, quanto mais apoio você ganha em uma eleição, mais capacidade você tem para alcançar seus objetivos", disse o candidato democrata a jornalistas, enquanto visitava um centro para idosos no Bronx. "Um resultado forte nos ajudará a fazer o trabalho." Ele votou nesta terça-feira no início da tarde.

Eleito, De Blasio terá agora duas batalhas pela frente, anunciadas por ele desde o início de sua campanha: mudar a estratégia de abordagem e revista de suspeitos adotada pela polícia - a qual, segundo críticos, muitas vezes expõem preconceitos raciais - e ampliar impostos sobre as classes mais altas para ajudar a financiar a educação fundamental da cidade. Em ambas as frentes, ele terá de contar com firme apoio da Câmara de Vereadores.

Lhota, seu adversário, manteve intensa sua campanha até o fim. Nesta terça, ele relembrou os nova-iorquinos da inesperada vitória de Harry Truman sobre o favorito Thomas Dewey, na eleição presidencial de 1948. "Vocês terão uma surpresa agradável", disse.

Para permitir que os nova-iorquinos pudessem conciliar os horários de votação com a rotina de trabalho, as seções eleitorais abriram às 6 horas (9 horas em Brasília) e fecharam às 21 horas, quando imediatamente teve início a apuração dos votos. Segundo dois especialistas citados pelo New York Times, a expectativa era que o comparecimento às urnas variasse entre 1,1 milhão e 1,5 milhão, em um universo de 4,3 milhões inscritos para votar.

Reduto. Embora Nova York seja um reduto democrata em nível nacional, o partido estava longe da prefeitura desde a eleição do republicano Rudolph Giuliani, em 1994. Em 2002, ele deu lugar a Michael Bloomberg, que, posteriormente, deixou os republicanos para se tornar independente.

Aos 52 anos, De Blasio já foi vereador e defensor da cidade de Nova York, cargo criado em 1993 para servir como uma interface entre a população e o prefeito, sendo o segundo na linha de sucessão do Executivo municipal, na época.

Irreverente, descendente de italianos e alemães, é tido como progressista, casado com uma mulher negra, seis anos mais velha do que ele - à época em que se conheceram, ela tinha um relacionamento estável homossexual. Nos anos 80, De Blasio chegou a viajar para a Nicarágua sandinista para denunciar a política de Ronald Reagan na América Central.

Na campanha, o democrata escolheu como seu cavalo de batalha a luta contra a crescente desigualdade social em Nova York. De Blasio quer aumentar para 4% os impostos sobre nova-iorquinos que faturam mais de US$ 100 mil por ano, arrecadação que será investida em educação para crianças com menos de quatro anos. Ele também promete construir 200 mil unidades habitacionais para pobres e melhorar a rede hospitalar da cidade. / NYT

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