Rodrigo Arangua / AFP
Rodrigo Arangua / AFP

De campanha no Tinder a candidato roqueiro: confira algumas curiosidades da eleição no México

No pleito deste ano, figuras como o ‘bruxo’ Antonio Vázquez e legisladores que mentiram sobre sua sexualidade para burlar lei sobre paridade de gênero ganharam destaque

O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2018 | 11h39

CIDADE DO MÉXICO - Alguns candidatos às eleições gerais no México inovaram em suas campanhas ou se destacaram pelas histórias com as quais estão envolvidos. Confira abaixo algumas curiosidades do pleito mexicano deste ano, que será realizado no domingo.

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Campanha no Tinder

De roupa íntima, Ana Sofía Orellana, de 24 anos, promoveu sua candidatura à deputada estadual em Puebla pelo aplicativo de encontros Tinder, criticando "a sexualização e a objetificação da mulher". "A política nunca foi tão atraente" é o slogan da candidata.

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Ida à Rússia

Como milhares de mexicanos, Juan Antonio Villarroel foi à Copa do Mundo na Rússia para assistir à partida entre México e Alemanha. Tirou uma foto de lembrança do jogo histórico, no qual seu país derrotou o campeão do mundo, e postou na internet.

O gesto, em plena época de campanha eleitoral, custou-lhe a candidatura à prefeitura de Atlixco, em Puebla. "Villarroel não deveria enganar, abandonar e ser omisso em suas responsabilidades que tinha como candidato", afirmou seu partido Morena, ao anular sua candidatura.

O roqueiro

De braços tatuados, com brincos e penteado punk, o cantor de rock Sergio Arau, ex-vocalista do grupo Botellita de Jerez, apresentou uma paródia de candidatura à Presidência do México. Compôs a canção "Quero ser presidente", junto a sua nova banda Heavy Mex sob o slogan "ferrar você é meu compromisso".

Ao ritmo de guitarras elétricas, ele canta: "Repartirei o país entre meus sócios, para torná-los número um em seus negócios (...). Estou pensando em me desfazer da minha mulher para me casar com outra, mais bonita e mais famosa".

Bruxaria

O "maior bruxo" do México, como é chamado Antonio Vázquez, prevê a derrota do candidato presidencial Andrés Manuel López Obrador, embora ele lidere as pesquisas. "Vejo, há seis meses, que (José Antonio) Meade vai ganhar", diz o "mago", referindo-se ao candidato da situação, após prever - acertadamente e contra todas as expectativas - que o México venceria a Alemanha por 1 a 0 no Mundial da Rússia.

Em Tabasco, terra de López Obrador, os especialistas em "santería" vendem velas que enaltecem sua imagem. "A esperança do México", lê-se em uma das velas, sob uma foto do candidato. Os vendedores alegam que não pretendem fazer de López Obrador um santo, mas sim lhe transmitir energia positiva.

Falsos 'muxes'

Autoridades eleitorais cancelaram 15 candidaturas para legisladores locais em Oaxaca que se fizeram passar por "muxes" (transgêneros) para burlar a lei que estabelece paridade de gênero nas requisições.

Os "muxes" são indígenas homossexuais travestidos que historicamente fazem parte da cultura de Oaxaca. No dia a dia, usam maquiagem e vestidos tradicionais, são respeitados e reconhecidos como o "terceiro gênero".

Para a festa

Em Tabasco, um grupo de amantes do vinho fabricou uma bebida alcoólica à base de flor de jamaica em homenagem a López Obrador. A bebida, que muitos preferem com gelo, está em elegantes garrafas com diferentes rótulos.

Uma delas tem a foto do candidato em preto e branco, com as cores da bandeira mexicana no peito, e a legenda "AMLO 2018-2024", em alusão à duração do próximo sexênio.

Com o vinho, basta uma "piñata" e a festa está pronta. Há modelos de todos os candidatos e algumas de até 1,40 metro. É só escolher seu favorito, ao som de alguma música "chiclete" de campanha. A mais popular é "Movimiento Naranja", do partido Movimento Cidadão, um contagiante ritmo "huarache" que se espalha enquanto um menino indígena canta e dança no vídeo.

Outra é "La niña bien", um reggaeton que conta como uma jovem rica simpatiza com López Obrador. Na canção, uma voz masculina entoa "o voto é como a sua virgindade, não o dê para quem defende a impunidade". / AFP

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