De comunista a nacionalista convicto

PERFIL - Ratko Mladic, ex-general servo-bósnio

Efe, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2011 | 00h00

A captura de Ratko Mladic, ex-chefe militar dos sérvios da Bósnia, era a principal reivindicação da União Europeia (UE) para acelerar adesão da Sérvia ao bloco. O Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII) acusa Mladic de crimes de guerra e genocídio em Srebrenica e em outras cidades bósnias.

Ele nasceu em 12 de março de 1943 no povoado de Bozinovici, no sudeste da Bósnia, e cresceu sem a presença do pai, um guerrilheiro do Exército comunista de Josip Broz Tito assassinado durante a 2ª Guerra pelos nacionalistas croatas, aliados dos nazistas.

Em 1965, Mladic formou-se na Academia Militar de Zemun em primeiro lugar. Oficiais que serviram com ele afirmam que, rapidamente, Mladic deixou de ser um comunista convicto e tornou-se um nacionalista sérvio.

A consolidação de sua carreira militar começou em maio de 1992, quando ele foi nomeado comandante do Exército da República Srpska (a parte sérvia da Bósnia). Radovan Karadzic, ex-líder servo-bósnio, detido em 2008, tentou destituí-lo pouco antes do fim da guerra, mas tropeçou na resistência dos principais comandantes militares do país.

O general acabou perdendo o posto após a assinatura dos acordos de paz de Dayton, mas estava foragido desde 1996. Investigadores garantiam que ele vivia na Sérvia, mas Belgrado sempre negou. Em 2005, porém, o serviço secreto sérvio confirmou que Mladic viveu no país até 2001, quando desapareceu definitivamente.

O ex-general é casado com Bosa e tem um filho, Darko, que durante todo o tempo foi monitorado em busca de pistas que levassem as autoridades sérvias ao paradeiro do pai. Sua filha, Ana, suicidou-se aos 23 anos, durante a guerra civil da Bósnia.

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