De cuba, Chávez convoca seus eleitores durante votação

Mensagem de presidente é lida 1h30 antes do fechamento da urnas, após Justiça interromper coletiva do vice, Maduro

RODRIGO CAVALHEIRO, ENVIADO ESPECIAL / CARACAS , O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2012 | 02h03

Uma mensagem do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, convocando os venezuelanos, mas principalmente "os patriotas", a votar foi transmitida ontem em rede nacional, uma hora e meia antes de fecharem as urnas. A convocação foi feita quando já se constatava uma baixa participação - ficou em torno de 55%.

Uma hora antes de a mensagem de Chávez ser divulgada, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) havia determinado que o vice-presidente, Nicolás Maduro, interrompesse uma entrevista coletiva em que falava das "conquistas da revolução" e da "importância do voto para mantê-las". "Isso é um chamado a inclinar o voto por uma opção política, o que é uma violação da lei eleitoral", afirmou o presidente do CNE, Vicente Díaz. Segundo o cientista político Omar Noria, uma alta abstenção tendia a prejudicar o chavismo

O recado de Chávez, lido pelo ministro de Ciência e Tecnologia, Jorge Arreaza, chamava "especialmente os patriotas" a exercer o dever e o direito de ir votar "para consolidar os ganhos sociais". Arreaza ainda sugeriu aos chavistas participar "para dar uma alegria ao comandante, uma alegria que permita acelerar o processo de melhoria".

"Ele está muito atento às eleições, com a confiança de que vamos confirmar essa democracia", acrescentou Arreaza, genro de Chávez. O ministro ainda atualizou o estado de saúde do líder bolivariano, recapitulando sua recuperação desde terça-feira, quando foi feita a operação. "O processo foi complicado. O presidente teve um sangramento. Isso foi revertido e nossa tensão baixou. Desde anteontem (sexta-feira), o presidente passou a se comunicar, a instruir, a governar", concluiu Arreaza.

Embora a boca de urna seja proibida na Venezuela, caminhões com caixas de som e adesivos eram comuns ontem perto dos locais de votação. Os meios de comunicação públicos cobriram o voto exclusivamente dos candidatos chavistas a governador - assim como os canais privados reservaram espaço ao voto dos candidatos da oposição.

O uso da doença de Chávez durante a campanha foi frequente. Nos comícios, a estratégia de pedir votos que levariam ao restabelecimento do líder foi repetida. Ontem, chavistas seguiam em vigília pela saúde do presidente na Praça Bolívar, no centro da capital. "Se ele deixar de viver, não tenho mais o que fazer em minha vida", dizia uma mulher.

No sábado à noite, em uma reunião da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), o presidente boliviano, Evo Morales, e representantes de outro países do bloco deram tom de comício ao encontro, embora o período de campanha tenha sido encerrado na quinta-feira.

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