De George Washington a George W. Bush

Dos 44 presidentes, 20 foram eleitos para um segundo mandato e, desde a 2ª Guerra, republicanos conseguiram impedir a reeleição de um democrata só uma vez, em 1980

LIZ BATISTA , O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2012 | 02h03

Em 1788, George Washington foi eleito por aclamação. A democracia, porém, engatinhava nos EUA. Apenas 1,3% da população tinha direito a voto, que era censitário e excluía pobres, mulheres e escravos. Após dois mandatos, ele deixou de herança a alternância de poder e uma aversão nacional à segunda reeleição. Em 1976, Washington passou a presidência para John Adams, o primeiro a ocupar do recém-construída e mal acabada Casa Branca.

A primeira leva de presidentes foi uma seleção de pais dos EUA: Thomas Jefferson (1801-1809), James Madison (1809-1817) e James Monroe (1817-1825), o protetor da "América para os americanos".

Quando James Polk foi eleito, em 1844, o país tinha 26 Estados. Polk foi o responsável pelas ideias que impulsionaram a conquista do Oeste. A expansão tinha pressa. Na eleição seguinte, Flórida e Texas fizeram suas estreias no Colégio Eleitoral. Quatro anos depois, surgiu a Califórnia. Em 1860, Abraham Lincoln assumiu um país já banhado por dois oceanos, mas fraturado ao meio. O Sul era rural, escravista e democrata. O norte, dinâmico, industrial e republicano - curiosamente, com o tempo a lógica se inverteu.

A eleição de 1864 ocorreu no auge da Guerra Civil (1861-1865) e foi a única em que os Estados do Sul não tomaram parte do Colégio Eleitoral, abrindo caminho para uma reeleição fácil de Lincoln. Ele evitou a fragmentação política do país, mas não superou as divisões partidárias. A partir daí, e até 1964, os democratas armaram suas barricadas no Sul e os rivais republicanos, no norte.

Em 1912, a eleição do democrata Woodrow Wilson interrompeu 12 anos de domínio republicano. Pela primeira vez, o Colégio Eleitoral contou 531 votos - Havaí e Alasca viraram Estado em 1959, estreando no Colégio Eleitoral em 1960, e Washington D.C. entrou em 1964.

A alternância de poder foi quebrada em 1940 com o democrata Franklin Roosevelt, que obteve quatro mandatos ao tirar o país da Grande Depressão e vencer a 2.ª Guerra. Ele morreu no 13.º ano de governo e foi substituído por seu vice, Harry Truman, protagonista de uma das imagens mais marcantes das eleições. Em 1948, ele disputou a presidência contra o republicano Thomas Dewey. Fechadas as urnas, o Chicago Daily Tribune estampou a manchete "Dewey derrota Truman". A eleição virou e Truman entrou para a história posando para os fotógrafos com a capa do jornal.

A disputa mais acirrada da história foi entre o democrata John Kennedy e o republicano Richard Nixon, em 1964 - decidida por 113 mil votos (0,2% do total). Os republicanos denunciaram fraude. No Texas, governado por Lyndon Johnson, vice de JFK, algumas seções eleitorais apresentavam mais votos do que eleitores.

Em 1976, o democrata Jimmy Carter e o republicano Gerald Ford protagonizaram outra batalha. Carter venceu por pouco mais de 2% dos votos na última vez que o Partido Democrata venceu todos os Estados do Sul.

Os republicanos deram o troco em 2000, quando a Suprema Corte tomou uma decisão em favor de George W. Bush, interrompendo a recontagem dos votos na Flórida que vinha favorecendo o democrata Al Gore - ele teve 500 mil votos a mais, mas perdeu no Colégio Eleitoral.

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