De la Rúa aceitou renúncia de Machinea

O ministro de Economia da Argentina, José Luis Machinea, apresentou nesta terça-feira à tarde sua renúncia ao presidente Fernando de la Rúa, com quem esteve reunido por várias horas. Embora não tenha havido nenhuma confirmação oficial por parte do governo até as 22h45, uma fonte muito próxima a Machinea confirmou à Agência Estado que o ministro havia colocado seu cargo à disposição à tarde, dando total liberdade ao presidente para continuar a política econômica do governo em uma situação que, de acordo com ele, ainda não é "crítica". A fonte informou também que o presidente aceitou a demissão de Machinea depois de uma longa conversa com ele na Casa Rosada. Alguns nomes para o cargo já eram cogitados pelo próprio presidente De la Rúa, entre eles o do atual chefe de gabinete da presidência, Chrystian Colombo, e do ministro de Defesa, Ricardo López Murphy, que se encontra na Europa. Cogitou-se também o nome do ex-ministro de Economia Domingo Cavallo, mas para a presidência do Banco Central da República Argentina (BCRA), no lugar de Pedro Pou, que vem sendo acusado de negligência com operações de lavagem de dinheiro no país nos últimos anos. Machinea acredita ter cumprido com seu ciclo e conseguido implementar uma série de reformas estruturais no país. Mas o ministro não conseguiu o que sempre prometera: reativar a economia e fazê-la crescer. Machinea também conseguiu, nos últimos seis meses, a blindagem financeira bilionária de US$ 39,7 bilhões do FMI e de outros organismos multilaterias de financiamento, com o qual evitou ataques especulativos contra a conversibilidade. Mas também a economia não reagiu. A queda iminente de Machinea vinha sendo comentada na quarta-feira no mercado financeiro, o que acabou derrubando a Bolsa de Buenos Aires. Os rumores da saída de Machinea, entretanto, não se restringem às ultimas semanas. Pelo contrário vêm desde que estourou a crise política no início de outubro, com a primeira mudança de gabinete e a intempestiva renúncia, na época, do vice-presidente, Carlos "Chacho" Alvarez. Essa crise acabou colocando o ministro em uma verdadeira armadilha, da qual só conseguiria escapar se apresentasse resultados positivos para a economia do país nos meses seguintes. "O jogo está armado para a sua substituição", afirmaram, na época, os principais analistas políticos e econômicos argentinos à Agência Estado. A primeira grande reforma ministerial promovida pelo presidente Fernando de la Rúa fortaleceu, de alguma forma, Machinea, já que sua pasta absorveu a de Infra-estrutura, onde existem projetos de investimentos de quase US$ 20 bilhões. Mas, ao mesmo tempo, o ministro ficou literalmente com a corda no pescoço. "O fortalecimento do ministro é apenas administrativo e burocrático, já que, a meu ver, o cargo dele se encontra em situação terminal", disse então Ricardo Rouvier, analista político e fundador da Rouvier & Associados. No ano passado, o governo não cumpriu nenhuma de suas metas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e este ano corre o risco de ocorrer o mesmo, já que a economia do país não apresentou reação, nem mesmo com a blindagem financeira de US$ 39,7 bilhões. Machinea e sua equipe econômica eram acusados de não entender os fundamentos da nova economia e de recorrer a fórmulas obsoletas para tentar sair da crise na qual o país afundou há quase três anos. Apesar da obsessão pela questão fiscal, a equipe econômica de Machinea não encontrou fórmulas adequadas para sair da crise. As contas fiscais do governo argentino se tornaram uma preocupação constante e passaram a ser a principal geradora de rumores no meio financeiro e no círculo de economistas e principais dirigentes do setor produtivo do país.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.