De la Rúa diz que saída é o déficit zero

O presidente Fernando De la Rúa declarou que seu governo não desvalorizará a moeda nacional, o peso, nem dolarizará a economia. A declaração foi feita para a seleta platéia de representantes do poderoso Conselho Empresarial Argentino, que reúne a nata do empresariado nacional dos setores financeiro, industrial e agrícola. O presidente sustentou que a conversibilidade econômica, que há dez anos estabeleceu a paridade um a um entre o peso e o dólar, será mantida em sua forma atual. Além disso, explicou que a saída para a crise do país é a manutenção da meta de déficit fiscal zero. As afirmações de De la Rúa ocorreram depois de uma semana na qual foram intensas as especulações de que a Argentina poderia dolarizar sua economia, caso o governo fosse pressionado para desvalorizar. Tanto o presidente De la Rúa como o chefe do gabinete de ministros, Chrystian Colombo, haviam afirmado que dolarizar seria uma alternativa "menos pior" do que desvalorizar a moeda. A dolarização não agrada o "pai da conversibilidade", o ministro da Economia, Domingo Cavallo, que prefere manter a paridade do jeito que está. O economista Manuel Solanet afirmou que "à medida em que a situação se agrava, a dolarização possui mais prós do que contras". Segundo ele, "uma medida assim acaba com "o temor da desvalorização e desta forma reduz o risco de cair no default (calote)". O ex-secretário da Fazenda, Juan Alemann, considera que a economia argentina "já está dolarizada". Para o principal economista do maior partido da oposição, o Partido Justicialista (Peronista), Jorge Remes Lenicov, "a pior coisa que poderia acontecer para a Argentina é o default, e a segunda pior seria a dolarização". Segundo Lenicov, com a dolarização "a Argentina ficaria submetida à política monetária dos EUA. E, além disso, ninguém pode garantir que isso reduza a taxa de risco do país". Lenicov considera que, ao contrário da dolarização, os "Lecop" poderão ser valiosos para a recuperação econômica da Argentina. Os Lecop são os bônus criados pelo governo federal para substituir os bônus que diversas províncias emitiram para pagar os salários de seus funcionários públicos provinciais e aposentadorias. Os Lecop estão sendo considerados como uma "terceira moeda", com os quais a população poderá pagar impostos nacionais, além de usá-los nos gastos comerciais do dia a dia. Para um dos líderes peronistas, o ex-vice-presidente da República o senador eleito Eduardo Duhalde, esta "moeda não-conversível será uma válvula de escape", já que a política monetária argentina está amarrada rigidamente à paridade um a um entre o peso e o dólar, o que proíbe a emissão de pesos para além das reservas equivalentes na moeda americana. O lançamento dos lecop, que estão sendo impressos na Casa da Moeda desde na semana passada, está programada para os próximos dias. No total, será emitido o equivalente a US$ 1,3 bilhão em lecops. Dessa forma, 12% da circulação monetária do país seja nesse bônus, a "terceira moeda" argentina.

Agencia Estado,

21 Outubro 2001 | 20h08

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