De la Rúa foi acuado por seu partido, diz Cavallo

Descrito como um homem abatido e que vive em semi-clandestinidade, o jornal espanhol El País publica nesta sexta-feira uma entrevista com o ex-ministro da Economia da Argentina Domingo Cavallo, na qual ele afirma que o ex-presidente do país Fernando de la Rúa foi mais acuado pelo seu partido do que pelos peronistas. "O peronismo, particularmente os governadores, tiveram uma atitude de muita colaboração com De la Rúa. Os governadores do partido de De la Rúa também colaboraram. Mas os partidos, o radicalismo e a Frepaso [Frente del País Solidario] não permitiram que De la Rúa governasse. Eles o boicotaram permanentemente. Os principais funcionários o abandonaram e tornaram sua vida impossível no Congresso", disse Cavallo. O ex-ministro, que esteve no olho do furacão nos últimos meses, passa os dias com discrição em sua casa em Buenos Aires ou movimenta-se apenas entre a residência e seu escritório, enquanto tenta revogar a decisão da Justiça que o proibiu de sair da Argentina. Na entrevista, Cavallo disse que deve retomar sua atividade intelectual e afirmou que tem dúvidas se voltará ao cenário político em razão da sua última experiência, considerada traumática. O ex-ministro negou a informação de que foi demitido do posto. "O que foi publicado na revista Gente é totalmente falso. Eu é que me demiti naquela noite. Quando vi que pediam a minha renúncia, chamei o presidente e disse: ´Se a minha renúncia tranquilizará a situação e lhe permitirá seguir governando, você a tem a sua disposição´", disse. Cavallo afirmou que tem certeza de que sua renúncia foi pedida pelos partidos da Alianza porque eles nunca estiveram de acordo com a atitude conservadora adotada por De la Rúa. Cavallo repetiu as críticas ao Brasil, afirmando que o país não foi ativo em seu apoio ao governo argentino. "Na realidade, o Brasil deveria ter compreendido que eram necessárias algumas salvaguardas após a desvalorização do real ou algum mecanismo que não exercesse tanta pressão sobre a moeda argentina", comentou o ex-ministro. "Os setores empresariais e financeiros do Brasil apostaram permanentemente na desvalorização do peso argentino", disse. Sobre o presidente interino da Argentina, Rodríguez Saá, Cavallo disse que ele é um homem valente por aceitar ser um presidente transitório em um período tão difícil. Leia o especial

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