De la Rúa ofereceu ajuda aos Estados Unidos

O porta-voz da presidência, Juan Pablo Baylac, declarou que o presidente Fernando De la Rúa foi um dos poucos privilegiados que foram informados antecipadamente do bombardeio dos Estados Unidos ao Afeganistão. Segundo Baylac, De la Rúa estava almoçando quando recebeu um telefonema do secretário de Estado dos EUA, Collin Powell, anunciando que o bombardeio começaria dali a poucos minutos. Segundo Baylac, De la Rúa disse a Powell que a Argentina "acompanhará os EUA nas decisões que tomar". Além disso, De la Rúa expressou "o desejo de que a segurança internacional e a paz mundial sejam restabelecidas no mundo". O presidente argentino também informou ao secretário de Estado que mais uma vez, oferecia ajuda humanitária para os EUA. A Argentina possui precedentes e determinados status que a vinculam militarmente com Washington: este país é o único aliado extra-OTAN dos Estados Unidos na América do Sul. Além disso, foi o único país sul-americano que em 1990 enviou ajuda militar à Guerra do Golfo. Na ocasião, a Argentina enviou quatro navios de guerra, que realizaram operações de patrulhamento, sem jamais terem participado de operações bélicas. Com um orçamento militar drasticamente enxugado na última década, a ajuda seria modesta. "Podemos colocar à disposição capacetes brancos, para ajuda humanitária, além dos capacetes azuis", disse Baylac, que destacou que um eventual envio de forças argentinas dependerá dos pedidos feitos através da ONU. Uma das hipóteses especuladas nos últimos dias era a de que a Argentina participasse indiretamente do conflito, enviando tropas para Kosovo, de forma que os EUA possam retirar seus próprios soldados dali e enviá-los ao Afeganistão. Como as finanças militares argentinas passam por tempos de vacas magras, Buenos Aires espera que a ONU ou os EUA financiem o deslocamento e a manutenção das tropas platinas. Baylac também informou que a segurança em todo o país será reforçada. No fim da tarde de hoje, De la Rúa estava reunido com seus principais assessores na área de segurança para tomar medidas suplementares àquelas já adotadas depois dos atentados em Nova York e Washington, semanas atrás. Do lado de fora da residência oficial de Olivos, o ataque americano ao Afeganistão também concentrou a atenção dos argentinos. Os canais de notícias do país deixaram de lado a cobertura sobre as eleições parlamentares do próximo domingo para dedicar-se totalmente aos bombardeios sobre Kabul e Kandahar. Nos cafés de Buenos Aires, onde os portenhos se refugiaram do dia cinzento de garoa, o bombardeio tornou-se no centro das conversas, deslocando para um segundo plano o tão esperado jogo de futebol Argentina X Paraguai. A Argentina tem especial interesse no novo conflito bélico, já que teme ser alvo de uma retaliação terrorista. No país, não faltam precedentes: em 1992 a Embaixada de Israel foi destruída por uma explosão que matou mais de 20 pessoas e feriu outras trezentas. Em 1994, um atentado explodiu a sede da associação beneficente judaica AMIA, matando 85 pessoas e mutilando e ferindo mais de trezentas. Em todo o país, a segurança de instituições, escolas, clubes e templos judaicos foi reforçado, por temor de um terceiro atentado. No entanto, o porta-voz Bayla sustentou que embora "os fatos precedentes nos coloquem em alerta, isso não deve gerar pânico, pois a Argentina possui dispositivos de segurança, focalizados principalmente nos possíveis alvos".

Agencia Estado,

07 Outubro 2001 | 18h26

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