De la Rúa prepara período de transição até 2003

Poucos presidentes começam a fase de transição para a saída do poder exatamente no meio do governo. Mas este é o caso do presidente Fernando De la Rúa, que tomou posse em dezembro de 1999 e deixará o governo no último mês de 2003. No meio do caminho dos dois anos que ainda restam para que deixe a Casa Rosada, a sede do governo, existe para De la Rúa o obstáculo das decisivas eleições parlamentares de outubro. Considerando como inevitável o fato de que o governo perderá as eleições, as principais forças políticas do país começam a discutir essa dura transição, que começará no dia seguinte às eleições de 14 de outubro. Mesmo com as urnas ainda fechadas, tanto a União Cívica Radical (UCR, o partido de De la Rúa) como o Partido Justicialista (mais conhecido como Peronista), da oposição, estão analisando a construção de um gabinete de "unidade nacional", que pretende garantir a governabilidade do país nos próximos dois anos. Esse gabinete estaria encarregado de realizar o enxugamento da máquina estatal, da renegociação da dívida externa pública e do combate ao desemprego. Coincidentemente, nos últimos dias, tanto a UCR como o peronismo emitiram documentos pedindo reprogramação negociada da dívida.Mas as coincidências não ficaram somente em documentos: o governador da província de Buenos Aires, Carlos Ruckauf, reuniu-se com uma das lideranças da UCR, o ex-ministro do Interior, Federico Storani. O ex-ministro é dissidente do governo De la Rúa, como parte do próprio partido. "Temos de fazer um Pacto de la Moncloa", afirmaram, em alusão ao pacto de consenso entre partidos espanhóis que, com empresários e sindicatos, permitiu a modernização da Espanha nos anos 80.

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