De líder sindical a inimigo do regime

Morgan Tsvangirai é visto por muitos analistas e governos ocidentais como a resposta para a crise política no Zimbábue. No entanto, muitos dos integrantes da cúpula do Movimento pela Mudança Democrática (MMD) questionam sua capacidade de liderança.Em 2005, o partido foi dividido em duas facções e o líder opositor foi acusado por alguns de seus partidários de ser incapaz de planejar estratégias futuras. "Há muitas preocupações sobre sua capacidade de discernimento", afirmou ao ?Estado? o analista Thomas Cargill, gerente do programa de África do centro de estudos Chatham House, com sede em Londres. "Tsvangirai foi muito criticado no passado por não ter conseguido unificar a oposição no Zimbábue."Tsvangirai, que já trabalhou em minas e no setor têxtil, começou a ter destaque na política zimbabuana em meados dos anos 80, quando foi presidente do poderoso Congresso de Sindicatos do Zimbábue (ZCTU, na sigla em inglês). Foi como líder sindical que Tsvangirai descobriu seu potencial de mobilizar multidões contra o governo do presidente Robert Mugabe.Em 1997 ele liderou uma série de greves e protestos que forçaram Mugabe a cancelar um aumento de impostos que tinha como objetivo pagar pensões dos veteranos da guerra da independência. Um ano depois, ele foi atacado por um grupo de veteranos que tentou jogá-lo do 10.º andar de um prédio.Aproveitando sua alta popularidade nos setores sindicais, Tsvangirai fundou, em 1999, o MMD com a ajuda de sindicalistas e fazendeiros brancos.Seu partido é freqüentemente criticado por Mugabe, que o qualifica como um "fantoche do ocidente" que tem como prioridade defender interesses dos ex-colonizadores britânicos.Três anos depois de fundar o MMD, Tsvangirai concorreu nas eleições presidenciais e foi derrotado por Mugabe - a votação foi considerada fraudulenta pelos observadores internacionais que acompanharam o processo. "Mesmo se eleito, Tsvangirai não teria a mesma autonomia para governar que Mugabe tem", afirmou um analista de um instituto de pesquisas do leste da África, que pediu para não ter seu nome divulgado. De acordo com Cargill, setores da elite do Zimbábue criticam tanto Tsvangirai quanto Mugabe, porque alegam que nenhum dos dois é capaz de realizar as reformas necessárias para melhorar a economia do país.

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