De ministro obediente a líder do antikirchnerismo

Maior referência entre os opositores da presidente Cristina Kirchner, Sergio Massa rompeu com a Casa Rosada em 2009

Ariel Palacios, Correspondente - O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2013 | 02h02

BUENOS AIRES - Nos tempos em que era chefe do gabinete de ministros da presidente Cristina Kirchner, Sergio Massa era alvo dos humoristas que o mostravam como um servil ministro. Em 2009, uma paródia do Big Brother, o programa Grande Cunhado, sucesso na TV argentina, ridicularizava Massa como alguém que corria atrás da presidente para secar seu cabelo e penteá-la.

No entanto, esse dedicado e obediente kirchnerista transformou-se, nos últimos meses, na principal referência do anti-kirchnerismo. Massa rompeu com Cristina no primeiro semestre e, rapidamente, criou sua própria sublegenda peronista - a Frente Renovadora - e candidatou-se à Câmara dos Deputados.

Nas eleições primárias de agosto, obteve 34% dos votos, derrotando o candidato da presidente, Martín Insaurralde, que conseguiu 29%. A batalha transcorreu na Província de Buenos Aires, o maior colégio eleitoral do país, que concentra 38% do eleitorado nacional.

A derrota, que foi um duro golpe para a presidente, também colocou a pique o plano kirchnerista de implantar uma reforma constitucional que permitiria o projeto batizado de "Cristina Eterna", para permitir a permanência dela no poder por meio de reeleições indefinidas.

Dissidência. A vitória de Massa, que, segundo as pesquisas, se repetirá com maior vantagem a seu favor nas eleições parlamentares de hoje, tornaram o ex-ministro em potencial presidenciável e rival do governador Daniel Scioli.

Na adolescência, nos anos 80, o jovem Massa militava na UceDé, partido de fervorosas posições neoliberais. Na década seguinte, tal como o casal Kirchner, ele aderiu ao peronismo neoliberal de Carlos Menem. Na virada do século, tornou-se deputado estadual. Em 2002, durante a presidência provisória de Eduardo Duhalde, comandou a Previdência Social.

Nesse estratégico posto, Massa ficaria até 2007, durante o governo de Néstor Kirchner, ano no qual foi eleito prefeito do município do Tigre, subúrbio de Buenos Aires. No ano seguinte, ele se transformou em chefe do gabinete de Cristina Kirchner.

No entanto, meses depois, com a crise causada pela derrota parlamentar de 2009, Cristina demitiu Massa, que voltou para Tigre. Posteriormente, documentos secretos divulgados do WikiLeaks indicaram que, em novembro daquele ano, Massa havia dito, na Embaixada dos EUA em Buenos Aires, que Kirchner era um "psicopata" e um "monstro", além de afirmar que o ex-presidente era quem realmente comandava o governo e Cristina somente "cumpria as ordens (do marido)" - mais tarde, ele negaria ao Clarín que houvesse se referido a Néstor nesses termos.

No início do ano, ele formalizou o rompimento com Cristina, criando uma nova facção do peronismo: a Frente Renovadora. Em agosto, Massa disse, em entrevista à revista Perfil, que é a favor do direito ao aborto. "Tigre foi o primeiro município a realizar um aborto não espontâneo", afirmou.

Ele é casado com Malena Galmarini, famosa por não ter papas na língua. Ela é filha da ex-deputada Marcela Durrieu e de Fernando Galmarini, ex-integrante do grupo cristão nacionalista de esquerda Montoneros e ex-assessor de Eduardo Duhalde.

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