De ministro servil aos Kirchners à dissidência

Nos tempos em que era chefe do gabinete ministerial da presidente Cristina Kirchner, Sergio Massa era alvo de humoristas que o retratavam como um ministro subserviente. Em 2009, o programa Grande Cunhado – paródia do Big Brother de grande sucesso na TV argentina – ridicularizava Massa como um servil funcionário, que corria atrás da presidente para secar seu cabelo e penteá-lo.

O Estado de S. Paulo,

16 de abril de 2014 | 23h40

No entanto, esse dedicado e obediente kirchnerista transformou-se desde o ano passado na principal referência do antikirchnerismo. Massa rompeu com Cristina no primeiro semestre de 2013 e rapidamente criou sua própria sublegenda peronista – a Frente Renovadora – e candidatou-se à Câmara de Deputados.

Nas eleições de outubro, obteve 43% dos votos, derrotando o candidato da presidente, Martín Insaurralde, que teve 32%. A batalha transcorreu na Província de Buenos Aires, o maior distrito eleitoral do país, que concentra 38% do eleitorado nacional.

Na adolescência, nos anos 80, Massa militava na neoliberal UceDé. Nos 90, tal como o casal Kirchner, aderiu ao peronismo de Carlos Menem. Na virada do século, tornou-se deputado estadual. Em 2002, durante a presidência provisória de Eduardo Duhalde, comandou a Previdência Social.

Nesse estratégico posto, Massa ficou até 2007, durante o governo de Néstor Kirchner, ano em que foi eleito prefeito de Tigre.

Em 2008, transformou-se em chefe do gabinete de Cristina. Mas, meses depois, com a crise ocasionada pela derrota parlamentar de 2009, a presidente removeu Massa, que voltou para Tigre.

Posteriormente, documentos do WikiLeaks indicaram que, em novembro daquele ano, Massa tinha dito na embaixada americana em Buenos Aires que Néstor Kirchner era um "psicopata" e um "monstro" – além de afirmar que o ex-presidente era quem realmente comandava o governo de Cristina, que somente "cumpria as ordens (do marido)".

No início de 2013, Massa formalizou sua ruptura com Cristina, criando uma nova facção do peronismo dissidente: a Frente Renovadora. / A.P.

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