De olho em 2012, Palin e Obama caçam votos

Rivais temem que revés na eleição do dia 2 dificulte ambições na corrida presidencial

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2010 | 00h00

A aproximação das eleições legislativas do dia 2, nos EUA, mobilizou os principais interessados na corrida presidencial de 2012 para o corpo a corpo com o eleitorado e busca por doações.

Ao trabalho de campo do líder americano, Barack Obama, somou-se o carismático ex-presidente democrata Bill Clinton. O esforço da republicana Sarah Palin, diva do ultraconservador Tea Party, e de setores menos radicais do partido tem sido recompensado por milhões de dólares doados neste final de campanha.

Nenhuma das figuras de apelo nacional dessas eleições de meio de mandato disputa um cargo público. Mas, pelo menos duas delas - Obama e Palin - claramente ambicionam concorrer pela presidência em 2012.

Para ambos, o novo Congresso refletirá as vantagens e dificuldades que terão nos próximos dois anos. No caso de Obama, significará a própria sobrevivência de sua proposta de "mudança".

"Mesmo que os republicanos obtenham a maioria apenas na Câmara dos Deputados e não consigam o mesmo no Senado, o governo Obama estará acabado", avaliou Julio Carrion, professor de Ciências Políticas da Universidade de Delaware. "Nos EUA, o Congresso concentra muito poder. A possibilidade de a Casa Branca conseguir aprovar seus projetos em um Legislativo dominado pelos republicanos será quase nula."

Com o risco de perda da maioria democrata nas duas Casas, como mostram as recentes pesquisas de intenção de voto, não foi apenas Obama quem saiu em caravana para apoiar e ajudar seus companheiros de partido. Clinton também abandonou o conforto dos bastidores.

Revolução republicana. Segundo um de seus amigos próximos confidenciou ao Washington Post, sua frustração com a falta de competência dos democratas em apresentar uma mensagem clara e coerente aos eleitores o levou às ruas. Como presidente, Clinton foi derrotado nas eleições de meio de mandato de 1994 - a chamada "Revolução republicana".

Nos últimos dias, em eventos em quadras de basquete, hangares de aeroportos e colégios, Clinton ajudou a levantar fundos para a reeleição da senadora Patty Murray, do Estado de Washington, do senador Harry Reid, de Nevada, e do governador Martin O"Malley, de Maryland, bem como na disputa de Kendrich Meek pela vaga da Flórida no Senado. Na próxima semana, Clinton ajudará em Ohio, Pennsylvania e Kentucky.

O próprio Obama movimenta-se intensamente pelo país desde o início de setembro. Visitou 22 cidades até ontem, quando desembarcou em Minneapolis, para apoiar o candidato a governador, Mark Dayton.

Do último dia 21 até amanhã, Obama terá cruzado o país duas vezes, com paradas em sete cidades onde candidatos democratas ao Senado enfrentam dificuldades para atrair o eleitorado. A fraca recuperação da economia não o ajuda.

Na quinta-feira, em Seattle, ele repetiu sua fórmula favorita. Obama entrou na casa de Erik e Cynnie Foss, sentou-se com a família por dez minutos na sala e foi ao quintal, onde uma plateia de cerca de 30 vizinhos o esperava. Depois, seguiu para o estádio da Universidade de Washington para falar a estudantes - eleitorado cativo de democratas.

No dia seguinte, o presidente voltou ao esquema mais protocolar dos eventos para arrecadação de fundos em Los Angeles, Califórnia, e em Las Vegas, Nevada. No paraíso das apostas, já visitado por Clinton, o democrata Harry Reid está empatado nas pesquisas com Sharon Angel.

A republicana do Tea Party recebera um forte apoio de Sarah Palin em um evento na cidade de Reno, na última terça-feira. Obama tentou reequilibrar o jogo.

A presença de Sarah Palin em qualquer evento traz uma animação parecida com a que Obama despertava em 2008. Mas, nas últimas semanas, seja por desorganização ou por tática desconhecida, Palin tem aparecido por tempo reduzido em comícios de apoio a candidatos republicados e se esquivado de participar de eventos de arrecadação de fundos.

Na sexta-feira, surgiu e falou rapidamente em um comício do Tea Party Express em Phoenix, Arizona.

Mas Palin tem se mostrado um tanto avessa às raposas republicanas, especialmente as que tentam se aproveitar de sua capacidade de angariar fundos. Ela recusou-se a participar de um evento com essa finalidade da campanha do senador Chuck Grassley, reeleito desde 1958 em Iowa.

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