''De olho na reeleição, Obama evitará choques com Israel''

Paul Scham, PESQUISADOR DO MIDDLE EAST INSTITUTE

Roberto Simon, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2011 | 00h00

Professor da Universidade de Maryland e pesquisador do Middle East Institute, de Washington, Paul Scham diz que a defesa explícita de um Estado palestino nas fronteiras pré-1967, feita ontem pelo presidente Barack Obama, é "uma novidade" na diplomacia americana. Mas, sozinha, a posição de princípio não muda muita coisa. O presidente pode até querer um dia apostar no diálogo entre palestinos e israelenses, mas sabe que, a um ano e meio das eleições, não é este o momento certo para pressionar Israel, sob o risco de perder votos decisivos. A seguir, trechos da conversa de Scham com o Estado.

A fala de Obama representa uma mudança efetiva na política dos EUA para o Oriente Médio?

Não, ela indicou mais uma continuidade. A principal novidade - embora não seja "totalmente nova" - foi a defesa de um Estado palestino com base nas fronteiras de 1967. O governo israelense não queria que essa posição estivesse no discurso de Obama. O que mais me chamou atenção, porém, foi o reconhecimento da urgência de duas questões específicas do conflito: o status final de Jerusalém e o direito de retorno dos refugiados palestinos.

A ênfase nesses pontos foi um "recado" ao premiê israelense, Binyamin Netanyahu, com quem Obama se reunirá hoje?

Tenho minhas dúvidas. Não vi no discurso nenhum indício de que os EUA tentarão ter uma voz mais ativa no diálogo de paz, ou mesmo insistirão no recomeço da negociação.

Falta força política a Obama para retomar o processo de paz?

Pelas informações que tenho, digo que, caso não tivesse limitações políticas reais, Obama pressionaria de forma muito mais vigorosa Israel a negociar. Mas, com o atual clima político, não consigo imaginá-lo tomando uma posição firme com os israelenses. Estamos a um ano e meio das eleições, os republicanos estão de olho na relação EUA-Israel e Obama não dará um passo arriscado.

E o que podemos esperar para a reunião de hoje entre Obama e Netanyahu?

Não espero muita coisa. É sabido que não há muita empatia entre os dois, mas acredito que se comportarão bem. Obama precisa mais de Netanyahu do que o contrário, pois o presidente sabe que críticas de Israel serão muito prejudiciais a suas pretensões eleitorais. O premiê israelense, porém, só tem a perder com um distanciamento de Obama. Creio que não veremos nada realmente novo.

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