De olho na Venezuela, EUA visitam Brasil e Argentina

Dois importantes diplomatas americanos viajarão para o Brasil e a Argentina na próxima semana para fortalecer laços com os dois países, em regiões onde os Estados Unidos vêem a crescente influência do presidente venezuelano Hugo Chávez, um inimigo das políticas de Washington. O subsecretário do Departamento de Estado para Assuntos Políticos, Nicholas Burns, e o principal diplomata para a região, Thomas Shannon, buscam, com a viagem, reforçar a importância que a América Latina tem para os Estados Unidos, disse o departamento de Estado em comunicado na sexta-feira. Os dois buscam também reconhecer a "liderança-chave" que Brasil e Argentina têm na região. "Queremos estabelecer uma relação bilateral mais forte com ambos os países e nossos laços com ambos são muito bons", disse Burns durante uma audiência do Departamento de Estado sobre Haiti na quinta-feira, ao comentar a visita. No âmbito econômico, os diplomatas se concentrarão em uma cooperação maior entre Brasil e Estados Unidos na área de etanol. Os planos estão alinhados com a política mais ampla dos EUA de reduzirem sua dependência de petróleo e buscar novas fontes energéticas no mercado mundial, disse um porta-voz do Departamento de Estado. "Estados Unidos e Brasil são os maiores produtores de biocombustíveis do mundo, então a cooperação é natural", afirmou Eric Watnik, por telefone, na sexta-feira. Alternativa Para Michael Shifter, vice-presidente para política do centro de investigação Diálogo Interamericano, em Washington, uma cooperação maior com o Brasil visa também estimular uma alternativa à Venezuela, um dos principais produtores de petróleo do mundo. "Ambos (diplomatas) têm falado de um envolvimento maior com a América Latina. Acredito que o Brasil é parte crucial dessa estratégia e realmente acredito que parte do que está se considerando é contrabalançar a influência de Chávez", disse Shifter. Algumas fontes em Washington especulam sobre uma possível visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington nos próximos meses, o que seria visto como outro gesto para estreitar a relação bilateral, mas a viagem não foi confirmada oficialmente. Os diplomatas norte-americanos viajarão aos países entre 6 e 9 de fevereiro. No Brasil, se encontrarão com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e líderes empresariais, entre outros. Na Argentina, eles terão reuniões com o ministro das Relações Exteriores, Jorge Taiana, e o ministro de Planejamento, Julio De Vido.

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