De olho nas eleições, Brown fala em 'mudar o mundo'

O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, fez hoje nova tentativa de melhorar sua popularidade e se firmar como o nome do Partido Trabalhista para as eleições gerais de junho de 2010. Em discurso na conferência anual do partido, ele convocou os trabalhistas a "mudarem o mundo novamente" e falou em "lutar" e "não desistir".

DANIELA MILANESE, Agencia Estado

29 de setembro de 2009 | 16h19

Entre as propostas apresentadas hoje estão a reforma eleitoral, a criação de um fundo para investir na indústria e formas de domar o déficit público e, ao mesmo tempo, manter benefícios considerados prioritários.

A liderança de Brown está abalada pela severa crise econômica e pela turbulência política que se abateu sobre o país, depois dos escândalos dos gastos abusivos dos parlamentares, que levaram a uma debandada de ministros meses atrás. Fuzilado pela oposição, o primeiro-ministro tem de enfrentar resistências até dentro do próprio partido.

O discurso de Brown acontece no mesmo dia em que a pesquisa de opinião Ipsos Mori mostrou que os trabalhistas estão em terceiro lugar (24%) na preferência do eleitorado, atrás do Partido Conservador (36%) e do Liberal Democrata (25%).

Em meio a frases de efeito para levantar a moral do partido, logo após ter sido apresentado por sua esposa Sarah como "meu herói", Brown sugeriu mudar o complicado sistema eleitoral do país. O objetivo é realizar um referendo para propor um sistema de votos alternativo, com melhor representatividade da população. Ele também quer criar um fundo de 1 bilhão de libras para estimular a indústria britânica.

Déficit público

O maior desafio do país hoje é conter a explosão do déficit público, bastante elevado depois de todos os pacotes de estímulo e resgates de bancos feitos durante a crise. Brown afirmou que haverá mais rigor na aprovação dos gastos, com regras para justificar a aplicação e regras para definir previamente a fonte dos recursos.

O objetivo é manter um setor público "mais realista". Mas, algumas áreas serão preservadas e até ampliadas. Entre os benefícios sociais, marca do governo trabalhista, a intenção é ampliar os recursos destinados para a assistência infantil e para mães adolescentes - um problema crescente no Reino Unido. Conforme Brown, o salário mínimo deve continuar subindo a cada ano.

O primeiro-ministro também defendeu uma regulação mais apertada para o sistema financeiro, depois que o governo nacionalizou diversas instituições abaladas pela crise. Ele afirmou que o mercado precisa de "moral". "Vamos passar uma nova lei para intervir nos bônus dos bancos quando a economia estiver em risco", defendeu. A intenção das novas regras é ligar a remuneração dos executivos aos resultados de longo prazo das instituições.

O primeiro-ministro quis passar a mensagem de que agiu corretamente durante a crise e conseguiu impedir consequências mais sombrias. "Foi somente há um ano que o mundo estava olhando para o precipício e o Reino Unido estava em perigo", disse. "Eu sabia que se eu não agisse decisiva e imediatamente a recessão poderia virar uma grande depressão com milhões de empregos, lares e poupanças em risco."

Analistas acreditam que o Reino Unido sairá da recessão somente no terceiro trimestre deste ano, depois da Alemanha e França, que já conseguiram retomar o crescimento econômico no segundo trimestre.

No discurso de quase uma hora, não faltaram ataques à oposição. "A única coisa consistente sobre a política deles (do Partido Conservador) é que estão consistentemente errados."

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