AFP PHOTO / LEON NEAL
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Elizabeth II, de monarca 'por acidente' à longevidade

Elizabeth II entrou na linha sucessória depois de Eduardo VII, herdeiro do trono, abdicar em favor de seu pai, Jorge VI

O Estado de S. Paulo

09 Setembro 2015 | 05h00

LONDRES  - Ela só se tornou rainha por uma ironia do destino, mas agora, aos 89 anos, Elizabeth II se transformou na monarca há mais tempo no trono britânico, em um reinado que vai da era pós-guerra até a era digital.

Uma constante num mundo em contínua mudança, ela está no auge de seu prestígio e "encarna a história do século 20", segundo a historiadora Kate Williams.

A rainha se reuniu com a maioria das principais figuras da história recente, do primeiro-ministro da Índia, Jawaharlal Nehru, ao imperador japonês Hirohito passando pelo general francês                que virou estadista, Charles de Gaulle.

Nelson Mandela, ícone da luta contra o Apartheid, na África do Sul, chamava Elizabeth II -cujo reinado testemunhou construção e a queda do Muro de Berlim - de "sua amiga". 

O amplo império britânico da era vitoriana, em que se dizia que o sol nunca se punha, diminuiu para poucos países remanescentes durante seu reinado. O caso mais recentemente foi a devolução de Hong Kong à China em 1997.

No entanto, mesmo em partes distantes do mundo, "quando as pessoas se referem à rainha, quase sempre isso significa a nossa rainha", diz John Major, um dos 12 primeiros-ministros britânico a ocupar o número 10 Downing Street, residência oficial e o escritório premiê britânico, durante o reinado de Elizabeth II.

Ascenção. O nascimento de Elizabeth Alexandra Mary Windsor, em 21 de abril de 1926, foi um acontecimento relativamente pequeno para um mundo oscilando entre duas grandes guerras e apenas três anos da Grande Depressão.

"Lilibet" (apelido para Elizabeth, em inglês), a jovem de cabelos encaracolados, estava destinada para o casamento, não ao trono.

Mas depois de reinar por apenas 325 dias, seu tio Edward VIII - que não tinha herdeiros - abdicou em 1936 para casar-se com Wallis Simpson, uma americana divorciada duas vezes.

O pai da princesa Elizabeth herdou a coroa como George VI, e de repente ela também se tornou herdeira do trono.

Quando a jovem Elizabeth e sua irmã Margaret tiveram que se mudar para o Palácio de Buckingham, ela perguntou para sua babá: "O que? Você quer dizer para sempre?"

Em seu 21º aniversário, ela prometeu passar a vida servindo seu país.

Em 20 de novembro de 1947 ela se casou com Philip - um primo distante que renunciou seus títulos como príncipe da Grécia e Dinamarca e sua carreira na Marinha Real para ficar com ela. Elizabeth II o descreveu como sua "força e estadia".

Quando George VI morreu aos 56, em 1952, ela se tornou rainha com apenas 25 anos e com dois filhos pequenos: Charles (nascido em 1948) e Anne (de 1950). Outros dois vieram depois -  Andrew (1960) e Edward (1964).

Seu papel é altamente cerimonial e ela permanece acima da batalha política. Todos os anos, ela lê o programa do governo na reabertura do Parlamento.

Sua voz permanece neutra e aguda, mesmo quando as propostas incluem medidas que ela se oporia, como a proibição da tradicional da caça à raposa.

A "Senhora", como seus súditos se dirigem a ela, também preside a Commonwealth, composta por 54 membros, incluindo 15 ex-colônias onde ela ainda é a soberano, como Austrália e Canadá.

Normalmente, vestida com cores brilhantes, para ser vista por todos, apesar de seu pequeno tamanho, a rainha realizou algumas visitas inovadoras e exóticas, incluindo à China, ao Vaticano e às Ilhas Cocos.

"O principal papel da monarquia é vender a marca britânica e a rainha é muito boa no que faz", disse o biógrafo real Robert Jobson.

Annus horribilis. Apesar do respeito que ela conquistou, seu reinado teve uma série de altos e baixos.

Em 1981, seu herdeiro Charles se casou com Diana em um casamento de conto de fadas que rapidamente não deu certo, apesar do nascimento de seus dois filhos William e Harry.

Elizabeth II considera 1992 seu "annus horribilis" (ano horrível, em tradução livre do latim) quando os casamentos de três de seus filhos - Charles, Anne e Andrew - terminaram e seu castelo em Windsor foi parcialmente destruído em um incêndio.

Em 1997, a rainha foi acusada de insensibilidade enquanto seus súditos choravam pela morte de Diana em um acidente de carro em Paris. Elizabeth II permaneceu em sua propriedade rural na Escócia por dias antes de reconhecer a multidão de enlutados, em Londres.

Nas duas décadas desde então, houve uma notável reviravolta para a monarquia - ajudada por uma máquina poderosa das comunicações.

A rainha cortou o orçamento do palácio e o casamento de William com Kate Middleton, que veio da classe média britânica, ajudou a criar a imagem de uma monarquia mais moderna.

Ela já visitou 132 países, posou para 139 retratos e fez milhares de discursos, mas nunca concedeu uma entrevista. Sua vida privada é um grande mistério.

O site oficial da monarquia britânica diz que ela ainda anda a cavalo e tem 30 cães Corgi em seus palácios.

Indiscrições raras de frequentadores do palácio revelaram o amor de Elizabeth II pelo jornal Racing Post, especializado nos páreos, em Dubonnet - aperitivo doce - e gim antes do almoço e em palavras cruzadas. / AFP

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