Mario Guzmán / EFE
Mario Guzmán / EFE

De Trotski a Evo Morales, veja algumas personalidades que buscaram asilo no México

País abriu as portas para Evo após ele renunciar à presidência da Bolívia

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2019 | 08h54

Com uma longa tradição de conceder asilo a personalidades perseguidas por motivos políticos, o México abriu na terça-feira, 12, as portas para Evo Morales após este renunciar à presidência da Bolívia por pressão dos militares e dos protestos desencadeados após as eleições de outubro.

Confira abaixo alguns personagens e líderes políticos que buscaram asilo no território mexicano.

Giuseppe “Peppino” Garibaldi

O militar Giuseppe “Peppino” Garibaldi, nascido em Melbourne, Austrália, em 1879 - neto do pivô da unificação italiana Giuseppe Garibaldi -, chegou ao México em 1911 e lutou na revolução mexicana ao lado das forças de Francisco Madero. Após a vitória dos maderistas, foi à Grécia em 1912 para combater o Império Otomano.

José Martí

O poeta e líder independentista cubano José Martí, nascido em Havana em 1853, foi condenado à prisão em Cuba por traição e acabou sendo deportado para a Espanha. Depois, foi enviado a Paris, passou por Nova York e chegou ao porto mexicano de Veracruz no dia 8 de fevereiro de 1875. Passou dois anos no México, onde conheceu sua mulher, Carmen Zayas, antes de voltar a Cuba e liderar a guerra da independência.

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Victor Raúl Haya de la Torre

O líder estudantil peruano Víctor Raúl Haya de la Torre, nascido em Trujillo em 1895, foi um grande opositor do governo de Augusto Leguía, motivo pelo qual foi preso. Após ser libertado em razão de uma greve de fome, chegou ao México no dia 16 de novembro de 1923, convidado pelo então secretário de Educação Pública, José Vasconcelos. No México, fundou a Aliança Popular Revolucionária Americana (APRA), um dos grandes partidos do Peru.

León Trotski

O líder comunista soviético León Trotski, nascido em Yánovka, na Ucrânia, em 1878, chegou ao México no dia 9 de janeiro de 1937 após uma longa jornada de fuga do stalinismo. Ele recebeu asilo do então presidente mexicano, Lázaro Cárdenas, com a ajuda do pintor Diego Rivera e sua mulher, Frida Kahlo. Foi assassinado no dia 21 de agosto de 1940 em sua casa por Ramón Mercader, um espião catalão que trabalhava a serviço da segurança soviética.

Fidel Castro

O líder cubano Fidel Castro, nascido Birán em 1926, foi condenado à prisão pelo ataque ao Quartel Moncada em 1953. Conseguiu sua liberdade e se exilou no dia 7 de julho de 1955 no México, onde planejou a invasão guerrilheira à ilha. Em novembro de 1956, Fidel partiu no iate Granma de Tuxpan junto a Che Guevara e outros revolucionários para iniciar a Revolução Cubana, a partir da qual assumiu o poder no país.

Luis Buñuel

Nascido em Calanda em 1900, o cineasta espanhol Luis Buñuel, que apoiava a Segunda República, fugiu da Guerra Civil e se exilou no México. Atraído pelo surrealismo mexicano, foi neste país onde dirigiu obras conhecidas como “Os Esquecidos” (1950) e "Viridiana" (1961). Ele morreu na Cidade do México em 1983.

Luis Cardoza

O poeta e diplomata guatemalteco Luis Cardoza, nascido em Antígua em 1901, se exilou no México em 1955 depois do golpe do coronel Carlos Castillo contra o governo revolucionário de Jacobo Arbenz. Na Cidade do México, participou da reconstrução da esquerda guatemalteca. Morreu em 1922 sem poder voltar ao seu país. 

Héctor Cámpora

O peronista Héctor Cámpora, nascido em Mercedes em 1909, presidiu a Argentina em 1973. Ele se refugiou na embaixada mexicana em Buenos Aires após uma tentativa de assassinato durante o golpe de Estado de Jorge Rafael Videla, no dia 24 de março de 1976. Com câncer na laringe, a ditadura o levou a se exilar em 1979 no México, onde morreu em 19 de dezembro de 1980.

Rigoberta Menchú

A líder guatemalteca Rigoberta Menchú, nascida em Uspantán em 1959, fugiu para o México em 1980 por violações de direitos humanos em seu país, onde seus pais foram assassinados por militares durante a guerra civil. No México, publicou sua autobiografia e começou um giro por todo o mundo denunciando a situação na Guatemala, para onde voltou em 1988. Ganhou um prêmio Nobel da Paz em 1992. / EFE

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