DEA usa informações obtidas com espionagem

Uma unidade secreta da agência antidrogas dos EUA, a DEA, está entregando a autoridades dados obtidos por meio de interceptações de mensagens, grampos, registros telefônicos e informantes. Essas informações são usadas na abertura de investigações criminais contra cidadãos americanos.

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2013 | 02h03

Embora casos desse tipo raramente envolvam questões de segurança nacional, documentos vistos pela Reuters mostram que as autoridades policiais foram orientadas a esconder o verdadeiro início das investigações - não só dos advogados de defesa, mas, às vezes, também de promotores e juízes.

Os dados, sem data, mostram que agentes federais são treinados para "recriar" a trilha investigativa, acobertando, assim, a origem da informação. Alguns juristas dizem que essa prática viola o direito constitucional do réu a um julgamento justo. Se os réus não sabem como a investigação começou, não têm como pedir uma revisão das provas.

"Nunca ouvi falar de nada desse tipo", disse Nancy Gertner, professora de Direito de Harvard e ex-juíza federal. Gertner e outros juristas disseram que o programa parece mais perturbador do que as recentes revelações sobre o monitoramento de registros telefônicos pela Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês). O esforço da NSA está voltado para conter terroristas, enquanto o programa da DEA tem como alvo criminosos comuns, principalmente traficantes.

"Uma coisa é criar regras especiais para a segurança nacional", disse Gertner. "O crime comum é completamente diferente. Parece que eles estão manipulando as investigações."

A unidade da DEA que distribui as informações se chama Divisão de Operações Especiais (SOD, na sigla em inglês). Dezenas de agências parceiras integram essa unidade, incluindo FBI, CIA, NSA e a Receita Federal. Ela foi criada em 1994 para combater cartéis de drogas na América Latina. Começou com algumas dezenas de funcionários e hoje tem várias centenas. Grande parte do trabalho da SOD é sigiloso e as autoridades pediram que sua localização precisa, na Virgínia, não fosse revelada. / REUTERS

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