Robyn Beck / AFP
Robyn Beck / AFP

Debate democrata mostra pré-candidatos unidos contra Trump

Apesar das divergências sobre temas como saúde e política externa, críticas ao presidente republicano aglutinaram os aspirantes à indicação do partido opositor

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2019 | 08h05

WASHINGTON - Os pré-candidatos democratas à presidência dos Estados Unidos participaram na noite de quinta-feira, 19, do sexto debate, no qual deixaram claro sua união contra o presidente republicano, Donald Trump, um dia após a Câmara aprovar seu impeachment.

A apenas 45 dias do início da disputa interna, o debate voltou a mostrar as diferenças entre a ala mais centrista dos pré-candidatos, como o ex-vice-presidente Joe Biden e o prefeito Pete Buttigieg, e os políticos mais esquerdistas, como os senadores Bernie Sanders e Elizabeth Warren.

Apesar das divergências sobre temas como acesso à saúde, financiamento de campanhas e políticas externas, os ataques a Trump conseguiram aglutinar os aspirantes à indicação democrata. 

"Precisamos restaurar a integridade da presidência", afirmou o líder nas pesquisas entre os participantes do debate, o ex-vice-presidente Joe Biden. 

Dos 15 pré-candidatos ainda em disputa, apenas sete cumpriram os requisitos para estar no debate de quinta, na Universidade de Loyola Marymount, em Los Angeles.

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Sanders criticou o governo Trump como "o mais corrupto da história moderna do país" e afirmou que o presidente vendeu as famílias da classe trabalhadora. 

Apesar dos ataques a Trump, alguns candidatos optaram por um tom mais otimista, diante do cansaço de muitos eleitores com o briga política nos EUA. "O que vai acontecer em 2020 depende de nós", disse Buttigieg. "Esta é a nossa oportunidade de não nos deixarmos levar pela impotência." 

Termômetro

Segundo as pesquisas feitas pelo site RealClearPolitics, Biden mantém a liderança da corrida, com 27,8%, seguido por Bernie Sanders (19,3%) e Elizabeth Warren (15,2%).

O prefeito de South Bend, Pete Buttigieg, que despontou no debate anterior com suas propostas moderadas e sua desenvoltura midiática, encontra-se em quarto lugar com 8,6%. 

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Em quinto, aparece o magnata e ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg, que se somou há menos de um mês à disputa e tem 5,1% das intenções de voto.

Primárias

O debate foi realizado um mês e meio antes do início das primárias, em 3 de fevereiro, em Iowa, quando começa um longo processo que terminará no meio de 2020 com a Convenção do Partido Democrata.

Neste processo, no qual à medida que os Estados vão votando os diferentes candidatos vão somando delegados, são muito importantes os resultados nos primeiros locais a votar. Em Iowa, Buttigieg sai na frente com 22,5%, seguido por Sanders (19,3%) e Biden (18%).

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No próximo Estado a votar, New Hampshire, a tendência se inverte e Sanders é o favorito, com 19%. Atrás dele, estão Buttigieg (17,7%) e Biden (14%).

Temas da campanha

Um dia antes do debate, a Casa Branca apresentou um plano para permitir a importação de medicamentos a preços mais baixos do Canadá e de outros países, abordando um dos temas centrais na campanha: o custo da saúde e os problemas no acesso.

Sanders e Warren defendem um plano de cobertura universal Medicare para Todos, enquanto o ex-vice-presidente de Barack Obama e Buttigieg preferem manter as seguradoras privadas.

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"Alguma vez você pulou uma dose de remédio, porque não podia pagar", disse Sanders no debate de quinta-feira, depois que surgiram vários casos de pessoas que morreram por não conseguirem pagar a insulina ou outros medicamentos.

O principal capital de Biden, de 77 anos, é sua experiência e a promessa de que, se for eleito, o país voltará à normalidade, deixando para trás a polarização da era Trump. Com estas credenciais, Biden parece estar mantendo o apoio dos trabalhadores e das comunidades negras. / AFP

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