Debate em Denver decepciona por não citar questão das armas

O debate entre os dois candidatos à Casa Branca e seus comícios em Denver decepcionaram o eleitorado que esperava ouvir uma mensagem sobre os massacres em Aurora e em Columbine, na zona metropolitana da capital do Colorado. Nenhuma palavra foi dita sobre a polêmica em torno do controle e restrição da venda de armas nos EUA.

DENISE CHRISPIM MARIN, ENVIADA ESPECIAL / AURORA, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2012 | 03h00

Iven Lawson, de 32 anos, assistiu ao debate presidencial do dia 3 com especial interesse e acabou frustrado com a ausência dessa questão. Na noite de 20 de julho, ele desistira de assistir ao novo filme do Batman no cinema Century 16, em Aurora. O complexo estava a apenas 200 metros de sua casa. Mas ele estava cansado demais para ir à sessão da meia-noite. Na manhã seguinte, soube que 12 pessoas haviam sido mortas e 58 saíram feridas no ataque cometido por James Holmes.

Lawson deseja a restrição da venda de armas no país. "Não sabemos qual a intenção de uma pessoa que está disposta a comprar uma arma, e as forças policiais não têm como impedir um ataque inesperado", afirmou ao Estado.

O conjunto de salas de cinema continua fechado e rodeado por cercas. Mas há expectativa de sua reabertura em breve. O tema não foi lembrado pelo moderador do debate presidencial, o jornalista Jim Lehrer, nem foi aproveitado pelos candidatos. O presidente e candidato à reeleição, Barack Obama, não o mencionou no comício que fez na quinta-feira em um parque de Denver. Romney, na véspera do debate, ignorou a questão ao discursar em um antigo hangar da Força Aérea.

Após o massacre de Aurora, a Casa Branca informou que Obama apoiava a renovação do banimento da venda de armas de assalto, vigente até 2004. Romney, atento às pressões da Rifle National Association e de amplos setores republicanos, defendera que novas leis não mudariam nada. Os republicanos apelam para a 2.ª Emenda da Constituição, que dá direito aos cidadãos de portar arma para a autodefesa. Para eles, impor restrições à venda seria inconstitucional.

A questão está longe de ser consenso em Aurora. O administrador carcerário Mathew (não quis informar o sobrenome), de 46 anos, define-se como um "libertário", do ponto de vista fiscal, e votará em Romney. Temas polêmicos nesta eleição, como o casamento entre homossexuais e o aborto, não estão entre suas preocupações. Mas o controle da venda de armas, para ele, restringe a liberdade individual e ofende a 2.ª Emenda. Qualquer restrição poderia ser adotada só pelos governos estaduais. "Tenho arma desde os 11 anos, quando meu pai me deu a primeira. É ridículo uma pessoa não ter sua própria arma, para a autodefesa", afirmou.

Beatriz Ramirez, de 20 anos, vem de uma família de imigrantes mexicanos, e votará pela primeira vez. Dará seu voto a Obama, por considerá-lo mais sensível às angústias e necessidades de uma jovem estudante hispânica. A restrição de venda de armas é algo que ela espera ver adotada.

Duanne Angell, auditor de 59 anos, residente em Aurora, pensa no costume dos americanos de regiões rurais acostumados a caçar: "Sou a favor da restrição da venda de pistolas, mas não de rifles". Holmes usou rifles Remington 870 e Smith & Wesson M&P15 no ataque ao cinema, antes de disparar com uma pistola Glock 22.

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