Jim Lo Scalzo/Efe
Jim Lo Scalzo/Efe

Debate equilibrado não deve ser decisivo para as eleições, diz analista

Obama defendeu a diplomacia de seu governo enquanto Romney criticou a postura 'fraca' do democrata

Fernanda Simas,

23 de outubro de 2012 | 01h31

O último debate presidencial dos EUA, ocorrido nesta segunda-feira, 22, na Flórida, não deve ser decisivo para os resultados do dia 6 de novembro. Segundo o professor do curso de Relações Internacionais da Unifesp Flávio Rocha, o embate entre o presidente democrata, Barack Obama, e seu rival republicano, Mitt Romney, ficou focado em Oriente Médio e China, mas o "eleitorado americano não está focado em política externa neste ano."

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Para Rocha, este debate foi mais equilibrado entre os candidatos. "Não acho que um tenha sido melhor do que o outro. Obama começou batendo mais, mas Romney não se deixou acuar".

Obama defendeu a postura mais diplomática de seu governo nos últimos quatro anos quando tratou do programa nuclear iraniano e do conflito sírio. Romney, por outro lado, criticou o presidente dizendo que ele tem uma postura fraca com as ameaças internacionais, como um Irã com armas nucleares.

Sobre a Síria, o presidente respondeu ao moderador que os EUA colocaram sua opinião - de que Assad deve deixar o poder - para a comunidade internacional, aplicaram sanções contra o país e ajudaram a oposição. "Estou confiante de que os dias de Assad estão contados."

Para o professor Rocha, Obama fez um discurso mais enfático na discussão das decisões internacionais. "A todo momento, ele falava em consultar os outros países, a comunidade internacional".

Além disso, o presidente enfatizou diversas vezes que seu governo quer "proteger as minorias religiosas e os direitos das mulheres". "Quando ele (Obama) fala das mulheres no Oriente Médio, ele está mirando o eleitorado interno", afirma Rocha.

Fugas

Na opinião de Rocha, as "fugas" de Romney de alguns tópicos de política externa, como da pergunta sobre o Egito e dos investimentos no setor militar, foram "estratégicas". "Em todas as perguntas, o presidente tinha a resposta na ponta da língua."

O republicano tentou puxar o debate para algumas questões de economia, seu ponto forte. "Ele (Romney) voltou algumas vezes na questão dos empregos, de que o americano médio está ganhando menos", diz Rocha.

Outros tópicos

Rocha lembra que outros tópicos, dentro do tema de política externa, poderiam ter sido abordados durante o debate. "A fronteira dos EUA com o México está pegando fogo, a taxa de mortos é absurda, mas não disseram nada sobre isso. Os dois disseram que apoiaram os movimentos da Primavera Árabe, mas se tivessem protestos populares dentro da Arábia Saudita, se posicionariam a favor do povo ou do governo que é um aliado estratégico na região? Essa pergunta não foi feita e talvez não fosse respondida porque pode afastar o eleitorado."

Outros debates

No primeiro debate presidencial, que abordou questões de política interna, Romney se saiu melhor. No segundo debate, no qual eleitores indecisos fizeram as perguntas, Obama saiu na frente a partir do momento em que abordou a morte do embaixador dos EUA Chris Stevens em Benghazi, Líbia, e emendou outros tópicos de política externa.

Estados indefinidos

Buscando votos nos Estados que ainda estão indefinidos, Obama vai fazer comícios, nos próximos dias, em cinco Estados: Flórida, Colorado, Ohio, Iowa e Virgínia. Romney fará comícios em Nevada e no Colorado.  

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