Debate expõe divisão entre os republicanos para eleição de 2016

CENÁRIO: Steve Peoples / AP

O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2015 | 06h00

Muitos republicanos pretendiam evitar o tema do casamente gay na campanha presidencial americana de 2016. À medida que se intensifica a discussão a respeito da lei sobre liberdade religiosa em Indiana, no entanto, os aspirantes do partido à Casa Branca vêm se envolvendo num debate confuso que coloca em evidência a forte oposição ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e pode trazer os temas sociais já para os primeiros estágios da campanha das primárias presidenciais.

A discussão fortaleceu os democratas em todo o país, enquanto expôs as nítidas divisões entre republicanos e líderes empresariais locais que se opõem à lei

Essa é uma fase crítica para o Partido Republicano, que recentemente procurou reduzir a importância de sua oposição ao direito de abortar e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, na tentativa de atrair mais eleitores jovens e mulheres.

Pesquisas mostram que a maioria do eleitorado americano apoia o casamento gay, mas muitos republicanos conservadores não dão seu respaldo. O casamento gay foi legalizado em 37 dos 50 Estados americanos, depois de uma série de decisões de tribunais. A Suprema Corte deve decidir no fim deste ano se casais gays poderão se casar em qualquer parte do país.

A maioria dos aspirantes a candidato à presidência pelo partido republicano defende a lei sancionada em Indiana, rompendo com os líderes empresariais locais em favor dos conservadores do país.

É um momento particularmente importante para o governador de Indiana, Mike Pence, ele próprio um possível postulante republicano à presidência que se tornou a face pública da lei.

"Foi uma semana difícil", afirmou Pence numa entrevista coletiva esta semana. Ele apelou ao Legislativo para encontrar uma solução para corrigir o que chamou de problema de percepção, cinco dias depois de sancionar a lei.

O governador do Estado da Flórida, Jeb Bush, um dos favoritos à indicação republicana, defendeu a lei numa entrevista na segunda-feira, dizendo que ela "simplesmente dá às pessoas de fé espaço para expressar suas crenças".

O senador texano Ted Cruz, que na semana passada anunciou sua disposição de disputar a vaga republicana, disse que o governador de Indiana está "mantendo uma posição firme para proteger a liberdade religiosa" no Estado.

Pelo menos dois outros republicanos que aspiram chegar à Casa Branca, Rick Jerry, governador do Texas, e Mike Huckabee, ex-governador de Arkansas, apoiaram a lei. Alguns republicanos com visão mais empresarial encaram o assunto de outra maneira.

"Muitas pessoas desviam o olhar de coisas realmente importantes: emprego, economia e nossa segurança", afirmou Ronald Weiser, ex-presidente de Finanças da Comissão Nacional Republicana. "Provavelmente não é a melhor coisa para o nosso partido como um todo."

Na semana passada, Pence assinou o Religious Freedom Restoration Act, lei estadual que aumenta as proteções quando empresas ou indivíduos se recusam a prestar determinados serviços por motivos religiosos.

Propostas similares foram apresentadas em mais de uma dezena de Estados e 19 já têm leis semelhantes.

O governador da Carolina do Norte, Pat McCrory, republicano com uma visão mais empresarial, criticou a proposta em seu Estado, e afirmou à AP na terça-feira que ainda precisa ver evidências do problema que essa lei pretenderia resolver.

Algumas empresas e organizações cancelaram viagens para Indiana ou suspenderam planos de expansão no Estado. O CEO da Apple, Tim Cook, escreveu artigo opondo-se às medidas adotadas em Indiana e Arkansas e a rede de supermercados Walmart declarou que a proposta expressa uma mensagem equivocada.

Os democratas se uniram na sua oposição à lei. Hillary Clinton, que deve lançar sua campanha para disputar a indicação democrata nas próximas semanas, escreveu esta semana no Twitter: "É triste que essa nova lei de Indiana seja votada nos EUA de hoje". Na quarta-feira Hillary afirmou que o governador de Arkansas deveria vetar a lei.

Asa Hutchinson, o governador de Arkansas, disse que sancionaria a lei, mas, ontem, pediu ao Legislativo que faça mudanças. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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