Debate na campanha eleitoral israelense esquenta

A decisão da Justiça israelense de interromper uma entrevista ao vivo na televisão com primeiro-ministro Ariel Sharon esquentou hoje o debate na campanha eleitoral, a apenas 18 dias da votação. O presidente da Comissão Eleitoral, Mishael Heshin, acusou Sharon de aproveitar seu pronunciamento à imprensa para fazer campanha eleitoral, violando as normas de uso dos meios de comunicação.Ao se defender da acusação de irregularidades num suposto empréstimo de US$ 1,5 milhão feito por um empresário sul-africano a seu filho Gilad, Sharon atacou seu principal rival, o trabalhista Amran Mitzna. O líder israelense atribuiu a Mitzna e assessores a divulgação de "fofocas malignas" por motivos políticos e disse que ele realizou "manipulações financeira" durante sua atual gestão como prefeito da cidade de Haifa.A quantia foi usada para pagar contribuições ilegais recebidas por Sharon na campanha de 1999. "Eu não sabia exatamente de onde vinha o dinheiro", disse ele, prometendo responder a todas as perguntas quando for interrogado pela polícia. O assunto veio à tona na terça-feira, depois que um jornal israelense divulgou as investigações em andamento. "Se ele cair nas pesquisas de intenção de voto no começo da próxima semana, isso significa que o público - não apenas a esquerda e a mídia, como Sharon argumenta - quer mudar o governo", disse o jornal Maariv.Três pesquisas de opinião conduzidas depois da divulgação do escândalo mostram que o Likud faria entre 27 e 30 cadeiras no Parlamento - bem abaixo das 41 apontadas em pesquisas anteriores, em dezembro. Não está claro, porém, se essas denúncias e um caso de corrupção na convenção do Likud poderão custar o cargo a Sharon. Mesmo com 30 cadeiras, o partido poderá compor-se com grupos religiosos e até com os trabalhistas, obtendo pelo menos o apoio de metade dos 120 parlamentares, necessário para formar o novo governo.ConferênciaO governo britânico anunciou hoje que realizará no dia 14 uma conferência sobre o Oriente Médio, apesar da recusa de Israel de permitir a viagem de altos funcionários palestinos até Londres. Depois do atentado suicida que matou 22 pessoas em Tel-Aviv no domingo, Sharon disse que conversações eram "fúteis" e vetou a saída da delegação da Autoridade Palestina (AP). O chanceler britânico, Jack Straw, anunciou que ministros palestinos tomarão parte por videoconferência. O objetivo do encontro é discutir reformas na AP e a retomada do processo de paz.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.