AP Photo/Carolyn Kaster
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Debate: O presidente acertou ao demitir Comey?

Especialistas listam motivos pelos quais concordam ou discordam da decisão do presidente americano, Donald Trump

O Estado de S.Paulo

11 Maio 2017 | 05h00

NÃO


Jennifer Rubin* / The Washington Post

O presidente Donald Trump tem todo o direito de demitir o diretor do FBI sem que isso constitua crime. Entretanto, do ponto de vista constitucional, um esquema para enganar os americanos e impedir a descoberta de possíveis condutas irregulares do presidente viola seu juramento. Se ele estiver envolvido em tal prática, não está mais cumprindo as leis dos EUA.

O que chama a atenção aqui é por que o presidente demitiu James Comey e se ele forjou uma história para ocultar sua motivação. Pondo lenha nessa fogueira de fatos suspeitos, a CNN informou na terça-feira à noite: “Promotores federais intimaram sócios do ex-assessor de Segurança Nacional Michael Flynn a apresentar gravações relativas a negociações como parte das investigações da intromissão russa na eleição do ano passado”. A CNN soube das intimações horas antes de Trump demitir o diretor do FBI. Não sabemos se isso teve influência na decisão.

Usar uma entidade legal para impedir outra de investigar irregularidades da presidência foi a essência de Watergate. Não sabemos se é disso que se trata, mas o Congresso não tem alternativa que não seja estabelecer por que o presidente agiu assim e agora. Isso exigiria ouvir sob juramento qualquer um com conhecimento ou envolvimento na demissão, e, em última instância, responsabilizar o presidente. 

Todo republicano deve escolher: insiste numa total e independente investigação da demissão ou se torna parte de uma possível manobra de ocultação. A todo candidato em eleições em 2018 deveria ser feita a pergunta: se for comprovado que Trump demitiu Comey para interferir na investigação sobre a Rússia, você, como deputado, votaria pelo impeachment? Ou, como senador, votaria por uma condenação? Sim. Chegamos a esse ponto. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

SIM


Hugh Hewitt* / Bloomberg

No verão do ano passado um amigo que conhece bem a cidade de Washington levou-me até um daqueles lugares onde se pode almoçar e fumar um charuto. Ele contou como ficou chocado quando o então diretor do FBI, James Comey, decidiu falar publicamente sobre uma investigação de e-mails de Hillary Clinton e divulgar centenas de detalhes do caso para depois concluir que ela não devia ser acionada judicialmente. Não é assim que o FBI age. Os agentes apresentam fatos aos promotores, não decidem. 

Aparentemente, o novo vice-secretário da Justiça Rod Rosenstein também ficou chocado e manifestou isso no memorando que enviou ao secretário de Justiça, Jeff Sessions. A confiança no FBI não vai ser recuperada enquanto um novo diretor não for indicado e isso, naturalmente, exigia a demissão de Comey. O secretário de Justiça analisou a recomendação, concordou e enviou ao presidente, que deu seu consentimento. Qualquer um que veja isso como uma “ocultação da conspiração russa” irá acreditar que Rosenstein e Sessions participam de um plano corrupto. 

É absurdo. Reli várias vezes o memorando. Comey errou em julho, errou nas declarações subsequentes, errou na semana passada e recusou-se a admitir o erro. A história é clara.

Mas temos de suportar alguns dias ouvindo as opiniões exageradas da mídia. Não se trata de um “Massacre da Noite de Sábado” – referência ao fato de Nixon ter ordenado a demissão do promotor especial no escândalo Watergate, Archibald Cox. Não há gravações, não há intimações para apresentação de documentos presidenciais nem renúncias no Departamento de Justiça. Esse governo tem quatro meses, não quatro anos. Em resumo, a mídia agitada já chegou ao auge da histeria novamente. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

*SÃO COMENTARISTAS

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