Debate sobre embriões traz ecos de era nazista

Um acirrado debate envolvido pelas memórias do Terceiro Reich eclodiu na Alemanha sobre a ética das pesquisas em biotecnologia e, particularmente, o uso de embriões para investigações genéticas e diagnósticos. A discussão colocou o chanceler Gerhard Schroeder contra o presidente Johannes Rau, cujo papel é geralmente cerimonial, mas assume importância em questões éticas. Schroeder assumiu uma visão em geral de laissez-faire, argumentando que a tecnologia genética apresenta oportunidades para a Alemanha. Cerca de20% das empresas de biotecnologia européias estão na Alemanha e o setor cresce 30% ao ano.Rejeitando o argumento de que a dignidade humana poderia ficar comprometida com a permissão da pesquisa sobre embriões in vitro, Schroeder disse que a dignidade humana está associada acima de tudo ao ?acesso ao emprego lucrativo? e que as possibilidades econômicas da biotecnologia são muito grandes para serem ignoradas.Tais temas são sensíveis na Alemanha por causa do extensivo programa de eutanásia e outras experiências nazistas destinadas a criar uma raçapura. Desde que foi eleito, Schroeder tem tentado remover ou atenuar alguns tabus. Mas, ao ampliar essa política para a pesquisa e engenharia genética, ele provocou a fúria de Rau. Usando uma linguagem veemente, incomum para um presidente alemão, Rau disse, na semana passada, que ?eugenia, eutanásia e seleção são rótulos que estão associados aterríveis memórias na Alemanha. Quando a dignidade humana é afetada, os argumentos econômicos não contam?, afirmou.

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