Brian Snyder/Reuters
Brian Snyder/Reuters

Debates dão início à fase decisiva de eleição nos EUA

Para Romney, embates na TV são vistos como a mais viável oportunidade de virar o jogo

Denise Chrispim Marin, correspondente em Washington,

28 de setembro de 2012 | 21h32

WASHINGTON - A etapa final da campanha presidencial nos EUA começa na quarta-feira, em Denver, Colorado, quando o democrata Barack Obama e o republicano Mitt Romney se enfrentarão no primeiro de uma série de três debates. Restarão apenas 34 dias para a eleição de 6 de novembro. Para Romney, os debates representam a única chance de virar um jogo, neste momento, desfavorável.

 

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“Se Romney quiser vencer, terá de melhorar a sua imagem”, resumiu Michael Dimock, diretor de pesquisas de opinião do Pew Research Center. “Ele fez progressos na convenção republicana (em Tampa, Flórida, no fim de agosto). Mas os debates serão sua melhor oportunidade”, completou.

O palco do primeiro debate será um Estado tradicionalmente não comprometido com nenhum dos partidos e ainda indefinido. Obama tem 48,7% das intenções de voto no Colorado, segundo a média das pesquisas mais recentes calculada pelo Real Clear Politics. Romney tem 45,8%. O segundo confronto se dará em Hempstead, no Estado democrata de Nova York. O último, dia 22, será em Boca Raton, na Flórida, outro terreno indeciso, onde Obama está com 49,3% e Romney, com 46,1%.

As pesquisas estaduais indicam a necessidade de vitória em apenas mais um dos Estados indecisos para Obama consolidar a sua reeleição. As consultas nacionais divulgadas na última semana deram ao presidente dos EUA vantagem de até 10 pontos porcentuais sobre Romney. Desde a eleição de 1988, apenas Bill Clinton teve intenção de voto maior do que a de Obama e margem mais ampla do que seu adversário no mês de setembro.

Como salientou o presidente do Pew Research Center, Andrew Kohut, entretanto, um entre cinco americanos ainda se diz indeciso ou aberto à mudança de voto. Obama não pôde desta vez engajar maciçamente os jovens à sua campanha e ainda é vítima da desilusão de muitos de seus eleitores de 2008. Trata-se de matéria-prima para Romney nos debates. Mas o republicano tem seus próprios problemas.

“Ele não soube se vender bem como indivíduo nem capitalizar a situação favorável a sua candidatura, e isso é difícil de mudar de uma hora para outra”, afirmou Kohut. “Romney não conseguiu fazer de si mesmo uma opção confortável para o eleitor e, por isso, é visto como um candidato fraco.”

Essa situação pode ser lida em algumas das perguntas aos 3.019 consultados pelo Pew Research em sua última pesquisa, entre os dias 12 e 16. Dos eleitores de Obama, 68% disseram apoiá-lo fortemente e 31%, moderadamente. No caso de Romney, essa proporção foi de 56% a 43%, um indicador de que muitos de seus eleitores não votarão nele, mas contra Obama. O republicano também perdeu de longe para seu oponente quando o eleitor foi questionado sobre quão conectado os dois candidatos são com os americanos comuns. Romney teve 23%. Obama, 66%.

Nos debates, terão peso a linguagem corporal, o senso de humor e a empatia - atributos geralmente mais presentes nos discursos de Obama. Mas a substância das respostas será o elemento decisivo. Romney tem a vantagem de ter participado de vários debates neste ano, durante as primárias republicanas. Ambos estão se preparando com cuidado para o embate de Denver. O republicano exercita-se com a ajuda do senador Rob Portman, que faz as vezes de Obama. O democrata tem no senador John Kerry seu Romney nesses exercícios.

Os dois lados têm se mostrado respeitosos. “Sabemos que Romney está se preparando muito bem. A invasão da Normandia talvez tenha sido menos preparada do que Romney para o debate”, declarou o estrategista da campanha de Obama, David Axelrod, à rede de televisão MSNBC.

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