Mohamad Torokman/Reuters
Mohamad Torokman/Reuters

Decepcionados com Obama, palestinos protestam por reconhecimento na ONU

Manifestantes dizem que pode ser a hora de reconsiderar relação com os Estados Unidos

estadão.com.br

22 Setembro 2011 | 20h05

RAMALLAH - O discurso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na Assembleia-Geral das Nações Unidas na quarta-feira ocasionou uma série de protestos entre palestinos que duram até esta quinta, 22. Em sua fala, Obama insistiu que apoia a formação de um Estado palestino, mas que era contra o pedido de ingresso da Palestina na Organização das Nações Unidas, posição que reflete, segundo os palestinos, o viés de Washington alinhado ao de Israel.

 

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O reconhecimento da Palestina - mesmo em uma forma diluída, já que os votos dos membros do Conselho de Segurança da ONU devem ser bloqueados por um veto dos EUA tido como certo - não vai trazer verdadeira independência aos palestinos no curto prazo. Ele pode inclusive não ser suficiente para melhorar a influência da Autoridade Palestina (AP) em negociações futuras sobre fronteiras com Israel.

 

Mas, apesar do risco de um racha sério com Washington, que tampouco deseja para si a tarefa solitária de negar a entrada da Palestina na ONU, o presidente da AP, Mahmoud Abbas, segue com o intuito de pedir formalmente o reconhecimento do Estado palestino nesta sexta-feira, 23.

 

O gesto pode ser a única forma de acalmar os ânimos dos palestinos. No mesmo dia do discurso de Obama, um jovem mascarado queimou uma bandeira americana. No dia seguinte, outros manifestantes continuaram os protestos. Em Ramallah, muitos dos que protestam trabalham para a AP e disseram que este pode ser o momento de reconsiderar as relações com os estados Unidos, mesmo que isso signifique dificuldades financeiras.

 

"Nossa aliança com os Estados Unidos não nos trouxe nada", disse Amina al-Akhras, um funcionário da AP, à Reuters, culpando a dependência de fundos de doadores internacionais por parte do que descreveu como um estado letárgico existente entre os palestinos que vivem sob ocupação israelense."Estamos dispostos a sacrificar o apoio americano e dispor de uma forte posição nacional", disse ele.

 

Uma pesquisa que consultou 1.200 palestinos e foi publicada esta semana indicou que mais de 80% deles apoiam a tentativa de conquistar o reconhecimento da ONU de um Estado palestino incluindo a Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental, áreas tomadas por Israel em 1967.

 

"Na atmosfera revolucionária da região, quando a liderança palestina não é capaz de entregar nada, eles têm que se preocupar com sua posição pública", disse Ghassan Khatib, porta-voz da AP na Cisjordânia, em referência ao aquecido clima civil da Primavera Árabe (onda de revoltas pró-democracia que tem varrido o Oriente Médio e regiões adjacentes). "Com esta abordagem (de solicitar o reconhecimento das Nações Unidas), eu acho que a pressão pública vai se acalmar um pouco".

 

Com Associated Press e Reuters

 

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