Decepcionados, republicanos dizem temer novo mandato de Obama

Partidários de Mitt Romney temem aumento de deficit público e piora na economia.

Caio Quero, BBC

07 de novembro de 2012 | 07h15

Pouco antes da meia-noite da terça-feira (horário da costa leste americana), quando as principais redes de televisão passaram a anunciar que Barack Obama havia sido reeleito presidente dos Estados Unidos, partidários do candidato Mitt Romney começaram a deixar o centro de convenções no sul de Boston onde a campanha aguardava o resultado das eleições.

Mesmo antes de Romney reconhecer a derrota - o que aconteceria cerca de uma hora depois - , o local começou a ser esvaziado por republicanos que diziam temer pelos próximos quatro anos de governo do Partido Democrata.

"Estou triste pelo meu país", disse à BBC Brasil Ruth Grafton, que veio do Estado da Louisiana para participar do evento em Boston. "Eu acho que a economia vai piorar ainda mais, o deficit vai aumentar. Mais e mais pessoas vão ficar em dificuldades".

A decepção era clara em boa parte dos republicanos que, silenciosamente, saíam do centro de convenções em direção a táxis ou ônibus fretados. Algumas pessoas tinham lágrimas nos olhos e outras recusavam de maneira ríspida os pedidos de entrevista da imprensa.

"Eu estou muito, muito decepcionada. Eu temo muito pelo meu país. Eu acho que as políticas de Obama são muito destrutivas", disse Nancy Hammerle, moradora de Boston.

Dificuldades

Outros, como Trevor Hawley, já previam que o segundo governo Obama pode ser marcado por uma relação difícil com o Congresso, assim como aconteceu em seu primeiro mandato. Segundo os primeiros resultados das eleições legislativas, os republicanos devem manter o controle da Câmara, enquanto democratas continuarão a ser a maioria no Senado.

"Os americanos se dizem frustrados com o nosso sistema político, mas acabamos de votar por manter a mesma situação por mais quatro anos. Barack Obama vai estar na Presidência, as maiorias serão as mesmas na Câmara e no Senado", dizia Hawley.

"Serão mais quatro anos da mesma situação, que eu acho que os Estados Unidos, como país, não podem aguentar", afirmou Hawley, que classificou o resultado como "deprimente".

Surpresa

O final da campanha de Mitt Romney pela Presidência foi marcado por um evento em Boston ao qual só convidados e partidários tinham acesso. Do lado de fora, as ruas próximas ficaram praticamente vazias, exceto por policiais, curiosos e uns poucos simpatizantes que enfrentavam o frio de cerca de 5º C para tirar fotos.

"Nós esperávamos uma multidão", dizia Brent Inman, de 20 anos, que junto com Cezanne Johnson, 21, vendia broches de Romney na calçada do centro de eventos. Os dois se disseram republicanos e ficaram surpresos com o resultado da eleição.

"Uau, eu não estava esperando, estou um pouco chocada", disse Cezanne, que afirmou ter acompanhado diversos eventos da campanha de Romney no último mês que tinham feito com que ela ficasse otimista.

"Ele seria um comandante melhor, ele tinha melhores planos para os EUA que poderiam fazer um governo melhor", disse Cezanne, que, mesmo após a confirmação da vitória de Obama, ainda tentava vender broches do republicano para o público que saía.

A poucos quilômetros dali, no Faneuil Hall, praça que abriga um mercado e outros prédios históricos de Boston, um pequeno público aparentemente formado por democratas em sua maioria comemorava as projeções de vitória de Obama transmitidas por um telão ao ar livre.

Romney acabou por reconhecer a derrota pouco antes de 1h desta quarta-feira, horário local. Em um breve discurso, ele disse ter ligado para Barack Obama para parabenizá-lo pela vitória.

"Este é um momento de grandes desafios para a América e eu rezo para que o presidente tenha sucesso ao guiar nosso país", disse. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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