Jose Cabezas/REUTERS
Jose Cabezas/REUTERS

Decisão da Suprema Corte de El Salvador sobre reeleição mina a democracia, dizem EUA

Aliados do presidente salvadorenho, Nayib Bukele, contrariaram Constituição do país para autorizar um segundo mandato

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2021 | 22h04

WASHINGTON - Os Estados Unidos pediram neste domingo, 5, ao presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que demonstre seu compromisso com a governabilidade democrática, condenado uma decisão da Suprema Corte salvadorenha que permitiu a reeleição presidencial imediata no país.

O porta-voz do Departamento de Estado americano, Ned Price, disse em um comunicado que a decisão "mina" a democracia e afirmou que a Constituição salvadorenha "claramente proíbe a reeleição dos titulares da Presidência por um mandato consecutivo".

Na sexta-feira à noite, os magistrados constitucionais reverteram uma decisão de 2014 e permitiram a reeleição presidencial imediata, abrindo caminho para que Bukele busque um segundo mandato em 2024.

"Os Estados Unidos exortam o presidente Bukele a demonstrar seu compromisso manifesto com a governança democrática, incluindo a separação de poderes e o Estado de Direito", disse Price, acrescentando que a decisão prejudica a relação que os EUA "se esforçam para manter com o governo de El Salvador". 

Price também afirmou que a manobra desgasta a imagem internacional do país como "parceiro democrático e confiável" na região.

A decisão foi tomada por magistrados nomeados em 1º de maio, quando a Assembleia Legislativa, com ampla maioria pró-governamental, demitiu os magistrados constitucionais do país e nomeou cinco advogados para ocupar seus cargos.

Entre eles, está um ex-assessor do Executivo de Bukele, advogado do atual diretor da Polícia e ex-comissário do Instituto de Acesso à Informação Pública, escolhido pelo presidente em um processo questionado. /EFE

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