Decisão de expor parte de investigação foi tomada pelo papa

Santa Sé se esforça agora para provar que é 'parceira' das autoridades europeias que combatem crimes financeiros

GENEBRA, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2013 | 02h03

A decisão de tornar pública pelo menos parte da investigação das operações do Banco do Vaticano foi tomada diretamente pelo papa Francisco. Ontem, na apresentação do primeiro relatório, as autoridades da Igreja insistiam em apontar que essa era a prova de que a Santa Sé seria uma "parceira" na luta contra o crime financeiro.

"Os dados mostram que o sistema está melhorando e funciona", disse o advogado suíço Rene Bruelhart, contratado como diretor da Autoridade de Inteligência Financeira. "O Instituto de Obras Religiosas não é um banco comercial e o Vaticano não é um paraíso fiscal", insistiu.

Se a ação foi considerada histórica, Francisco ainda terá de convencer as autoridades europeias de que o Vaticano está disposto a colaborar.

Transparência. O Conselho da Europa, em 2012, fez duras críticas à falta de transparência do Vaticano em termos financeiros e à falta de um órgão independente que pudesse investigar casos de lavagem de dinheiro ou mesmo de financiamento de ações de terrorismo.Dos 16 critérios que o grupo tem para medir a transparência de um país, o Vaticano foi reprovado em 7 deles.

Os escândalos que envolvem o Banco do Vaticano não são novos e remontam aos anos 70, quando o Banco Ambrosiano, que pertencia a Igreja, quebrou (mais informações nesta página).

Investigações em 2011 apontaram ainda para suspeitas de que o banco estaria sendo usado pelo crime organizado, e não apenas para manter as contas de congregações e departamentos no Vaticano.

O caso deixou o banco por meses sem um diretor. Entre os cardeais que também fazem parte do grupo que fiscaliza o banco, está o cardeal-arcebispo de São Paulo, o brasileiro d. Odilo Scherer. / J.C.

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