Steve Parsons/Reuters
Steve Parsons/Reuters

Decisão de Meghan e Harry pode dar prejuízo ao Reino Unido

No entanto, especialistas acreditam que o casal pode usar sua popularidade para fechar acordos e fazer fortuna em poucos anos

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2020 | 20h20

LONDRES - A decisão do príncipe Harry e de sua mulher, Meghan, de abandonar as funções de primeiro escalão da família real pode trazer ao casal grandes ganhos econômicos, mas também causar prejuízos para a monarquia e os empresários britânicos. Especialistas em relações públicas acreditam que o casal pode fazer uma fortuna nos próximos anos em parcerias com grandes marcas.

O casamento de Harry e Meghan, em maio de 2018, visto pela tevê por mais de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo, foi considerado por muitos como o último “conto de fadas do século”. Também esperava-se que a união com uma atriz americana de origem negra levasse a família real a uma nova era.

Menos romântico, também se esperava que os duques de Sussex (que já estavam se tornando uma celebridade) trouxessem um grande benefício econômico para o Reino Unido. Mas, 18 meses depois, o casal anunciou pelo Instagram que dividirá seu tempo entre o Reino Unido e a América do Norte e trabalhará para se tornar “financeiramente independente”.

Muitos agora se questionam quais serão as perdas para o Reino Unido, a monarquia e os empresários com essa mudança. “É difícil dizer, pois ninguém até agora sabe realmente os termos exatos do ‘Megexit’”, disse David Haigh, chefe executivo da Brand Finance, empresa de gerenciamento de marcas. A companhia calculou que o casamento de Harry e Meghan gerou 1 bilhão de libras para a economia britânica em 2018, incluindo 300 milhões de libras em viagens e hospedagens de turistas estrangeiros, e 50 milhões de libras com produtos como moedas, chaveiros, canecas e roupas.

Nos meses após o casamento, o patrocínio do casal continuou trazendo grandes rendimentos, especialmente para empresas britânicas como Marks & Spencer e John Lewis, e por meio de projetos beneficentes como o de roupas para o trabalho criado por Meghan em colaboração com a ONG Smartworks.

Ainda não está claro quais funções os duques de Sussex pretendem abandonar e o que isso influenciará na questão da economia britânica. Mas o Palácio de Buckingham informou que Harry e Meghan pretendem continuar envolvidos com as atividades da Commonwealth (Comunidade dos Estados Britânicos), os patrocínios e o apoio à rainha Elizabeth.

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A monarca, que não havia sido consultada sobre a intenção do casal, ficou furiosa com a decisão e pediu a sua equipe de assessores, assim como às do príncipe Charles e do príncipe William, que trabalhem “em ritmo constante para encontrar soluções viáveis” para o caso. Meghan deixou Londres e retornou ao Canadá, onde haviam passado o Natal e o ano-novo, deixando para Harry resolver o problema com os membros de sua família.

Segundo o jornal Telegraph, fontes da casa real expressaram dúvidas sobre a viabilidade de o casal abandonar as obrigações reais, mantendo títulos nobres, os 95% de subsídio financeiro do príncipe Charles e a casa recém-reformada nos terrenos do Castelo de Windsor.

Independência financeira

Harry e Meghan não deram nenhum indício de como pretendem buscar sua “independência financeira”, mas o mundo da moda poderia estar no radar da ex-atriz americana. Segundo fontes, ela teria começado a conversar com a Givenchy, que fez seu vestido de noiva e integra o poderoso grupo LVMH, também proprietário da Dior, Tiffany & Co., Marc Jacobs, Donna Karan, Louis Vuitton e Fendi.

“Meghan está muito conectada à indústria da moda e há muitas grandes marcas que gostariam de fazer parceria com ela em projetos”, contou uma fonte ao jornal The Sun, acrescentando que tudo que a duquesa usa vende rapidamente. “Já tiveram discussões ativas com a Givenchy. Alguns desses negócios podem valer milhões de libras.”

Ronn Torossian, da empresa nova-iorquina 5W Public Relations, disse ao Daily Mail que o poder aquisitivo de Harry e Meghan é “ilimitado em todos os aspectos”. Para Torossian, Meghan continua sendo uma superstar e o casal tem o potencial de fechar os acordos que quiser no mundo todo. Ou seja: além de participar de eventos, como Barack e Michele Obama têm feito, eles poderiam fechar bons contratos de embaixadores com multinacionais. / NYT e AFP

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