British Antarctic Survey/Reuters
British Antarctic Survey/Reuters

Decisão de Trump é alvo de críticas do setor privado

Companhias americanas e até representantes do setor do petróleo condenam saída de acordo

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington , O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2017 | 05h00

Maior empregadora dos EUA e maior empresa de varejo do mundo, a rede Walmart foi uma das diversas companhias a condenar ontem a decisão tomada pelo presidente Donald Trump de retirar o país do Acordo de Paris, e pediu à comunidade internacional que continue a trabalhar em conjunto para reduzir emissões de gases poluentes.

O CEO do megabanco de investimentos Goldman Sachs enviou pela primeira vez uma mensagem por meio de seu perfil no Twitter e criticou o presidente: “A decisão de hoje é um retrocesso para o meio ambiente e para a posição de liderança dos EUA no mundo”, escreveu Lloyd Blankfein.

O anúncio de Trump também foi criticado por Jeff Immelt, CEO da General Electric, a 11.ª colocada na lista das 500 maiores companhias americanas. “Essa decisão ignora de maneira perigosa a manifestação de mais de 280 investidores globais e mais de 1.100 empresas, entre as quais pelo menos 70 da Fortune 500, que exortaram o presidente Trump a permanecer no Acordo de Paris.”

Um dos mais inovadores empresários americanos, o fundador da Tesla e da SpaceX, Elon Musk, reagiu anunciando sua saída dos cargos que ocupava como conselheiro na Casa Branca. “Estou deixando o conselho presidencial. A mudança climática é real. Abandonar (o Acordo de) Paris não é uma boa coisa nem para os EUA, nem para o mundo”, escreveu no Twitter. Em outro post, ele refutou a ideia de que o tratado coloca os EUA em desvantagem. “Sob o Acordo de Paris, a China está comprometida a produzir tanta energia limpa até 2030 quanto os EUA produzem de todas as fontes hoje.”

Grandes empresas americanas tentaram até o último minuto convencer Trump a manter o país no pacto. Entre elas, estavam algumas das maiores produtoras de petróleo do país, como a Exxon Mobil. O ex-CEO da empresa é hoje o secretário de Estado, Rex Tillerson, que estava no grupo que se opunha à decisão anunciada ontem pelo presidente.

No início do mês, os CEOs de 30 corporações gigantescas dos EUA enviaram carta a Trump defendendo a permanência no acordo climático. Entre eles, estava Andrew Liveris, o CEO da Dow Chemical, uma líder mundial do setor químico.

A empresa de tecnologia Intel divulgou nota ontem na qual disse acreditar “firmemente” que os EUA deveriam continuar no acordo. “A saída não mudará nosso investimento em energia renovável e nós continuaremos a defender o engajamento dos EUA.”

O setor privado americano teme que a retirada do pacto prejudique a competitividade das empresas do país e afete sua liderança no segmento de energias limpas e renováveis, um dos que mais crescem no mundo. O temor é que as mudanças promovidas por Trump na área ambiental reduzam os estímulos para inovação no setor e abram caminho para China e europeus surfarem na que promete ser a nova revolução tecnológica do planeta.

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