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Decisão dos EUA ajudaria Super Tucano

Autoridades americanas podem tirar de circulação o A-10 e abrir caminho para que aviões fabricados no Brasil surjam como substitutos

Roberto Godoy, O Estado de S. Paulo

13 Agosto 2016 | 21h00

O avião é feio, tão feio que ficou bonito – o A-10 da Força Aérea americana adota arrojadas soluções de engenharia para cumprir sua missão de ataque a alvos no solo. As duas imensas turbinas montadas fora do conjunto principal, na seção traseira, só perdem para o principal sistema de armas do grande jato. 

A rigor, o A-10 foi desenhado em torno do maior canhão embarcado de sua classe: o GAU-8 Vingador, é um gigante de 300 quilos, 6 metros de comprimento e 7 canos rotativos de 30 mm. A arma é um metro mais comprida que um sedã Mercedes Benz S/500L, um dos maiores do catálogo da fabricante alemã. 

Com uma vasta lista de admiradores e volumosa ficha de sucesso em combate, o “Javali”, o “Relâmpago” (dois de seus apelidos), da USAF, ficou velho, entrou em operação em 1977 e pode ser desativado ao longo dos próximos seis anos, saindo do campo de batalha em 2022. Ou, bem diferente disso, ter a vida útil estendida até 2040. Em qualquer das duas vertentes, a notícia é boa para a indústria aeronáutica do Brasil.

O influente senador republicano John McCain, da Comissão das Forças Armadas do Senado, quer que a desmobilização comece em 2017 no âmbito de um corte de despesas da aviação militar da ordem de US$ 4 bilhões. Mas há um fator complicador. 

“O A-10 é muito bom no que faz”, diz o ex-piloto ‘Bock’ Martin, lembrando que nas duas guerras do Iraque, em 1991 e 2003, “foram cumpridos mais de 4 mil ataques com os Javalis – o índice de êxitos foi superior a 94%, um recorde – fica difícil tirar do ar um recurso eficiente assim”. O problema é que o A-10 não tem sucessor claro. A solução mais prática para o problema, de acordo com os consultores do Pentágono, é submeter a um amplo programa de modernização um certo número da frota pronta para uso, cerca de 290 unidades – 160 delas compondo esquadrões em permanente mobilização. 

Esse conjunto permaneceria engajado nas tarefas mais pesadas. As missões mais leves caberiam a uma outra aeronave, a ser selecionada. E é aí que o brasileiro A-29 Super Tucano, da Embraer, pode se dar bem. 

Considerado o melhor de sua classe em produção no mundo, com uso regular em 16 países contra insurgentes e no trabalho de apoio aproximado da tropa em terra, o A-29 leva a vantagem de já ter sido escolhido uma vez pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos e de já estar sendo fabricado em território americano. Mais do que isso: o avião brasileiro é citado nos EUA em todos os principais estudos a respeito da troca do A-10 como opção para atender ao segundo viés do empreendimento, o do “ataque leve em território hostil de baixo risco”. 

O contrato afegão, de US$ 428 milhões, cobre 20 aviões repassados para o Afeganistão. Os primeiros oito desse lote já foram entregues estão sendo empregados para atingir alvos do Taleban, da Al-Qaeda e do Estado Islâmico. A linha de produção fica em Jacksonville, na Flórida. É dessa facilidade industrial, mantida em associação com o grupo local Sierra Nevada, que sairão outros seis Super Tucanos comprados em novembro de 2015 pelo Líbano. O valor do negócio não foi revelado, mas é estimado em cerca de US$ 110 milhões. 

A operação do A-10 é cara e vai continuar assim mesmo depois de um eventual processo de revitalização eletrônica, de célula e de motorização. Uma hora de voo do Javali sai por US$ 11,5 mil contra US$ 1 mil do A-29 – se a comparação for com os custos do novo e futurista F-35 Lightning, a cifra bate nos US$ 35 mil. O preço unitário varia de US$ 12 milhões a US$ 14 milhões. Ágil, veloz (600 km/hora) e equipado com sofisticados recursos eletrônicos, o A-29 pode receber até 1,5 toneladas de cada vez de 150 diferentes configurações de armamento e acumula 35 mil horas de voo de combate.

 

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