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Decisão: Obama e Romney medem força nas urnas

Presidente chega com ligeiro favoritismo às eleições

Denise Chrispim Marin, enviada especial a Chicago, e Gustavo Chacra, correspondente em Nova York,

05 de novembro de 2012 | 22h40

O presidente Barack Obama tem ligeiro favoritismo para vencer as eleições nos EUA, apesar de estar tecnicamente empatado nas pesquisas com o adversário, Mitt Romney. A vantagem do democrata está no Colégio Eleitoral, onde seu caminho para alcançar a metade dos 538 delegados tem bem menos obstáculos do que o republicano.

De acordo com a média das pesquisas calculada pelo site Real Clear Politics, Obama tem 48,5% das intenções de voto contra 48,1% de Romney, dentro da margem de erro. O presidente aparece na frente do rival em três dos oito principais levantamentos, com o adversário liderando em duas, além de mais dois colocando ambos com o mesmo porcentual.

Com o cronômetro na mão, Obama e Romney percorreram Estados cruciais para a eleição, com a mesma receita tradicional de vitória: animar o cidadão já conquistado a votar, ainda que sob a neve. Ambos trocaram acusações e reforçaram promessas de campanha. "Nosso trabalho não terminou ainda. Vamos terminar o que começamos", declarou Obama a uma plateia de 18 mil eleitores de Madison, em Wisconsin. "A não ser que mudemos o curso, podemos cair em nova recessão", apelou Romney em comício em Lynchburg, na Virgínia.

Ao vencer em um Estado, o candidato leva todos os seus delegados. Em muitos deles, como os mais populosos Califórnia (democrata) e Texas (republicano), o vencedor já é dado como certo pelas pesquisas.

Levando em consideração estes Estados com a tendência consolidada, Obama já possui 201 delegados contra 191 de Romney, de acordo com o Real Clear Politics. O restante dos delegados pertencem aos swing states, como são apelidados os Estados sem predomínio democrata ou republicano.

Em alguns deles, Obama lidera com folga e muitos analistas acham improvável que Romney consiga virar o jogo. Este é o caso de Michigan, Pensilvânia, Wisconsin e New Hampshire. Se conquistá-los, Obama passaria a ter 247 delegados. Em Ohio, visto como o mais importante swing state, o presidente, na média das pesquisas, tem 3 pontos porcentuais a mais do que Romney. Uma vitória, o deixaria a apenas um Estado pequeno, como Iowa, da reeleição.

O caminho para Romney é bem mais complicado. O republicano lidera na Flórida e Carolina do Norte. Com os dois, passa a ter 235, ficando longe dos 270 necessários. A expectativa dos republicanos é conquistar Estados equilibrados como Virgínia, Nevada e Colorado, somando mais 28 e chegando a 265. Ainda assim, faltariam delegados e a via mais fácil seria reverter Ohio.

Segundo Sean West, da consultoria de risco político Eurasia, a probabilidade de vitória de Obama é de "dois para um". "Na última semana, a posição dele nos swing states ficou mais forte". Nate Silver, jornalista-estatístico do New York Times que desenvolveu uma equação com centenas de variáveis em seu blog Five-Thirty-Eigth, alusão ao total de delegados, colocava em 86,3% a probabilidade de reeleição de Obama e em 13,7% a chance de Romney.

Além de Wisconsin, Obama fez comícios em Columbus, Ohio, e Des Moines, Iowa. Juntos, esses três Estados são responsáveis por 34 delegados no Colégio Eleitoral. Romney começou sua jornada em Sanford, na Flórida, seguiu para Lynchburg, depois para Columbus e terminou em Manchester, New Hampshire. Somados, esses Estados lhe dariam 64 votos.

Nesses últimos dias de campanha, Obama e Romney apelaram para a presença de popstars em seus comícios. Nesta segunda-feira, não foi diferente. O cantor Bruce Springsteen acompanhou Obama nos eventos de campanha. "Ele me prometeu uma volta no Air Force 1", disse aos eleitores de Madison, referindo-se ao avião presidencial.

Sua campanha ainda pôs os atores Samuel Jackson e Chris Rock para dar entrevistas. O também ator Jon Hamm (estrela da série de televisão Mad Mann) deu telefonemas a eleitores do Colorado, e o rapper Jay-Z se juntaria a Obama no comício em Columbus. A de Romney planejou para a noite, em Manchester, um show de Kid Rock, cantor e compositor que mistura o gênero country ao rock pesado. Em Columbus, horas antes, se apresentaria depois da banda The Marshall Tucker Band.

Nesta terça-feira, mesmo com as urnas abertas, Romney fará comícios em vários Estados ainda indecisos e cruciais para sua vitória. Não há restrição legal para isso nos EUA.

 

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